O freio suíço na “marcha para frente” de Moro

Marcelo Auler

sergio moro parada obrigatoria 2Não existe, entre as pessoas de bem, quem, em sã consciência, apoie corruptos e corruptores. Mas, no clima de Fla x Flu que se instalou no país, ultimamente, qualquer crítica à Operação Lava Jato é vista como defesa da corrupção, dos chamados “petralhas” corruptos e dos empresários corruptores. Não adianta argumentos, o que vale é o emocional. Pelo emocional, o Lula já mora no triplex do Guarujá, José Dirceu é responsável por toda a corrupção que grassa na vida política do país, e os operadores da Lava Jato já não são mais seres humanos, por terem se tornado infalíveis. Alguns já se sentem o verdadeiro Messias.

Mas, como a vida não é uma linha reta e os processos judiciais, queira-se ou não, têm altos e baixos, sempre surgem surpresas, algumas desagradáveis. Por isso, todo cuidado é pouco, e não raro, a pressa mostra-se inimiga da perfeição.

Caso típico é este freio que a Justiça Suíça acaba de impor ao juiz Sérgio Moro, ainda que de forma indireta, naquela marcha que bem recentemente ele declarou ter uma única direção: para frente., sem direito a paradas.

Não vou aqui roubar o tempo do leitor comentando a decisão da Justiça Suíça que outros, antes de mim, já o fizeram de forma variada. Basta, por exemplo, recorrer ao Tijolaço, que postou “A Justiça suíça, que se lixa para nossa mídia, condena provas “atropeladas” da Lava Jato“.  O que importa é que a partir dessa manifestação, Moro viu-se obrigado a fazer o negara recentemente, até com certa ironia para com os advogados: suspendeu o prazo do processo. Que a freada sirva para reflexão. 

Há uma semana (23/01), ao postar aqui Lava Jato: Moro reacendeu as suspeitas do grampo ilegal na PF, alertamos sobre a decisão do juiz Sérgio Moro em não aceitar pedidos que logo classificou de procrastinações processuais, que todos conhecemos:

Sua preocupação em agilizar os processos que tem em mãos é louvável, desde que não coloque em risco o resultado de todo o trabalho. Fazer Justiça de maneira rápida é um anseio popular – principalmente quando envolve corruptos. Mais ainda se os acusados de corrupção são famosos. Mas, operadores do Direito sabem que há todo um caminho a percorrer para não se lamentar, futuramente, por possíveis anulações, ou mesmo derrotas judiciais. Tal qual ocorreu com a Operação Satiagraha.

O exemplo do pedido feito pela defesa da Odebrecht que Moro não quis aceitar, classificando-o de protelatório, deve servir a todos. A ampla defesa não é um direito a ser preservado apenas para os réus da Lava Jato. Ela existe para beneficiar todo e qualquer cidadão. Infelizmente, nem todos os réus se beneficiam dela, mas não é por isso que devemos tolhe-la dos demais. Não há como buscar-se atalho, quando se corre atrás da verdade. Ou do mais próximo que se possa chegar dela.

Na Lava Jato, os atalhos têm sido muito. Grampos ilegais, que finge-se que não existiram; escuta ambiental em fumódromo, para bisbilhotar pretensos adversários que, quando descoberta, esconde-se atrás de sindicâncias que jamais terminam; pedidos ilegais de informações sobre números telefônicos de personagens protegidos pelo foro especial; pressões sobre os presos para aderirem à delações premiadas; são alguns casos já relacionados aqui.

Hoje, a freada foi provocada pela Justiça Suíça e pode até não gerar maiores efeitos, além das rusgas diplomáticas. Afinal, até o momento os magistrados de lá não impediram o uso das informações conseguidas por debaixo da mesa e não pelos acordos internacionais, como manda o bom figurino. Resta, portanto, apenas o mal estar.

Não tarda, porém, como lembrou Élio Gaspari no artigo que aqui reproduzimos – A teoria da ‘bosta seca’ ameaça a Lava Jato – chegará o momento em que os montinhos de “bosta seca” sugeridos por Gaspari estarão sobre os tapetes dos tribunais superiores de Brasília. Poderá até haver quem pense em esconde-los debaixo dos mesmos. Mas, a favor do Estado de Direito, que serve a todos, muitos de seus ministros tamparão o nariz e enfrentarão a “bosta seca” pela frente, seguindo os Códigos que regem os nossos processos. Poderá ser tarde para se recuar a acertar os erros do passado.

Leia ainda as outras matérias sobre a Operação Lava Jato e Polícia Federal já postadas no blog:

Lava Jato revolve lamaçal na PF-PR”.

O grampo da discórdia na Lava Jato

Calúnia na PF-PR: juiz rejeita denúncia e critica MPF

Surgem os áudios da cela do Youssef: são mais de 100 horas

Lava Jato: o polêmico organograma

Satiagraha & Lava Jato: dois pesos, duas medidas

Lava jato: um fato, duas versões da PF-PR. Mentira?

Lava Jato: surgem mais grampos na PF-PR. “Grampolândia”?

Grampo da Lava Jato: aproxima-se a hora da verdade

Lava Jato chega ao TRF-2: e agora?

Lava Jato: DPF delega investigação do vazamento

Lava Jato: Adivinhem quem estava na cela com Cerveró?

Lava Jato: surge nova denúncia de irregularidade

O mistério do ministro Cardozo em Curitiba

Operação Sangue Negro atinge governo de FHC

Lava Jato no Rio esbarra na falta de tecnologia

Investigações da Lava Jato: dois pesos e duas medidas

Briga por verba reflete a briga contra Dilma na PF

Briga da PF com Dilma: correção necessária e desconfiança descabida

Trapalhadas da PF-PR com a verba doada pelo juiz Moro

Polícia Federal ontem e hoje: de FHC à Dilma Rousseff

Lava Jato: Moro reacendeu as suspeitas do grampo ilegal na PF

21 pensamentos sobre “O freio suíço na “marcha para frente” de Moro

  • 2 de fevereiro de 2016 em 20:54
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    Disse-o bem. Ai de quem ousar destoar desse novo espetáculo juridico-midiático, permeado por vazamentos seletivos. Existe um trabalho midiático preparatório, de forma que se aceite qualquer anomalia. Direito de defesa não é favor.

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    • 2 de fevereiro de 2016 em 23:19
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      Dr. Armando, sabe como é…., ao final, a maioria dos paladinos (ou ao menos aqueles que não são deuses – agentes vitalícios – inagingíveis), precisarão adivinha do que…… isso mesmo, de advogado, de defesa…. fina ironia….

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    • 3 de fevereiro de 2016 em 19:24
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      Direito de defesa já não existe mais, pelo menos na Guantánamo do Paraná, onde reina absoluta a Constituição, elabora, votada e promulgada pela Rede Globo.

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  • 2 de fevereiro de 2016 em 23:25
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    Pro MPF, a prova é ilegal mas, NÃO DÁ NADA, NÃO DÁ NADA….. coitado do STF que tem que lidar com esse caminhão de bosta produzido na república do paraná. E não é bosta seca não, é mecônio, diarréia de bêbado, e bosta de cú galado!

    Mas que problema seria esse pro MPF do paraná, considerando o nível das negociações e delações que são orquestradas nos grotões da lava jato…..

    A verdade vai aparecer, é inevitável.

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  • 2 de fevereiro de 2016 em 23:28
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    A diferença do STF pra essa corte estrangeira, é que essa corte aí está literalmente cagando e andando pra pressão criminosa, bandida, de uma imprensa comprometida, canalha e corrupta, que age em conluiu com essa milícia do paraná.

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  • 3 de fevereiro de 2016 em 10:36
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    Seria o freio ‘suíço’ para o ‘queijo suíço, que é essa Lava Jato, com o monte de buracos por onde ocorrem os vazamentos seletivos para o PIG, com o propósito de aniquilar o governo, a presidente, Lula, o PT e a esquerda brasileira?

    Lamentável que o MP suíço não impediu o uso das provas obtidas de forma ilegal, contrariando o acôrdo de cooperação internacional.

    Quanto aos ‘montinhos’ com que os tribunais superiores terão de lidar, eles não são de bosta seca, já que são renovados periòdicamente pelas defecadas constantes dos policiais federais, procuradores do MPF e do sérgio moro.

    Responder
  • 3 de fevereiro de 2016 em 10:40
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    Seria o freio ‘suíço’ para o ‘queijo suíço, que é essa Lava Jato, com o monte de buracos por onde ocorrem os vazamentos seletivos para o PIG, com o propósito de aniquilar o governo, a presidente, Lula, o PT e a esquerda brasileira?

    Lamentável que o MP suíço não tenha impedido o uso das provas obtidas de forma ilegal, contrariando o acôrdo de cooperação internacional.

    Quanto aos ‘montinhos’ com que os tribunais superiores terão de lidar, eles não são de bosta seca, já que são renovados periòdicamente pelas defecadas constantes dos policiais federais, procuradores do MPF e do sérgio moro.

    Responder
  • 3 de fevereiro de 2016 em 13:10
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    Excelente análise Auler!!! Os tribunais terão muito trabalho…a começar pelo padrinho de um dos filhos do Moro…que é o desembargador do TRF4 relator da lava jato!!!!

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    • 3 de fevereiro de 2016 em 17:10
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      Fale-me mais sobre isso, Trovão! Compadres? Pode isso Arnaldo?

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  • Pingback: O freio suíço em Moro, por Marcelo Auler - TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”

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  • 3 de fevereiro de 2016 em 19:28
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    O STF Brasileiro poderia se mirar na corte suiça e parar de se curvar a pressão midiatica em seus pareceres.
    O Supremo deve agir como supremo.Estado de Direito já.

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  • 3 de fevereiro de 2016 em 20:45
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    Quando que em um país civilizado, aonde se respeitam as leis, independente quais sejam, um juiz de primeira instância de um condado dos cafundós rural da nação junto com seus amigos da promotoria e ainda com o oficial de policia local ( no mundo todo ninguém sabe nem o que é um “delegado de policia”) derrubaria uma empresa nacional, causaria insustentabilidade política, ataques midiáticos ao governo com vazamentos seletivos, com grampos ilegais, fraudes processuais, infrações as leis, “pau de araras” delatórios, curriolas advocaticias locais, palestras nas tvs em igrejas messiânicas e até em veículos de comunicações oposicionistas, premios no exterior, tudo isso no meio do processo criminal e ainda o pior…. o governo federal a presidente da republica o ministro da justica o Diretor Geral do Departamento de Policia Federal o Procurador Geral os tribunais superiores os congressistas e A POPULACAO se omitiram perante esta circo so porque os escolhidos divinos pregam a todos que estão “numa cruzada para exterminar a corrupção nacional” ? A lei realmente não é pra todos… só pra 4 Pes na nova República Tupiniquim Curitibana…pretos, pobres, putas…. e petistas.
    E acabou-se a corrupção ladroagem sacanagem em todo nosso territorio. Vamos bater palmas então pros predestinados. Morro e não vejo tudo nesse Brasil, viu. Puta que Pariu.

    Ps: um beijo pro nosso presidente do congresso nacional Sr Cunha – O vendedor de carne enlatada – e sua esposa – nossa primeira dama global tenista. Quero uma selfie comigo.

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  • 3 de fevereiro de 2016 em 21:11
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    E no final e tudo isso : o Japonês da Federal entra no lugar do Faustão, os delegados aecistas serão os novos trapalhões da globo, os procuradores messiânicos fundarao e serao os pastores da Primeira Igreja Mundial da Cruzada das 10 Medidas do Juizo Final, o juiz será o novo Frodo do Senhor dos anéis e irá embora morar em Bolyude, a Petrobras vira Microempresa Simples, Os EUA construirao tudo na América Latina com suas empreiteiras “modelos de compliances”e sem concorrência, os brasileiros trabalharao TODOS felizes com seus 839,00 reais mensais no MacDonalds e o Brasil enfim ficara livre da corrupção, e virara um lugar celestial pra se viver…. The End.

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  • 4 de fevereiro de 2016 em 03:13
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    Sr Auler, nao acredito no posicionamento sincero da Suiça. Para mim, é parte de uma estratégia que segue um script pré-determinado e minunciosamente calculado da própria lava jato, que é uma operaçao com objetivo político claro, idealizada e financiada de fora dos limites do país tendo esse juiz de 1° instancia, o Moro, como o protagonista escolhido que aceitou fazer o trabalho sujo. Aliás, nem a escolha dele foi atoa. Esse mesmo juiz foi o que presidiu a maioria dos processos do Caso Banestado/pr[operaçao macuco da pf.] que foi um fiasco proposital porque o desvio da conta cc5 dobanestado, evasao de divisas e a lavagem desse dinheiro[124 bilhoes de dólares]nao foi recuperado, odelegado resposnavél foi intencionalmente afastado e “fritado” por “autoridades” como o min da justiça da época[marcio thomas bastos] para que a operaçao de investigaçao fosse desmontada. Esse ministro, por acaso, foi pego na operçao castelode areia por remessa de dinheiro desviado para o exterior. No caso Banestado os operadores desse dinheiro desviado[ 137 contas do banestado-as famosas cc5, tiveram sigilo quebrado], tinham como procurados principais os mesmos da lava jato[ex alberto youssef estava lá era delator]. Os destinatários destas contas incluiam políticos da mais alta cúpula do empresariado e política nacional, sobretudo, de políticos ligados ao psdb, dentre outros[governo na época era psdb,pmdb, ptb, pfl/atual dem. Curiosamente, os processos , no entanto, ou geraram absolviçao por falta de provas ou prescreveram por inércia da PF e do MPF(!).Youssef foi indiciado ao menos 5 vezes, mas só foi condenado em apenas 1 deles(!). O crime no BR compensa[yossef etá de novo envolvido nas mesmas práticas e, de novo, delator tendo o mesmo juiz no caso(!).
    Nada é por acaso. Querem entender melhor a patranha toda? O sen Requiao conta em detalhes[transcriçao do discurso e video] nesse link http://www.robertorequiao.com.br/discurso-do-senador-requiao-sobre-o-caso-banestado/

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  • 4 de fevereiro de 2016 em 09:10
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    Meu comentário foi censurado, apesar de nele não haver nenhum palavrão ou ofensa maior do que a proferida pelos ínclitos procuradores. Se bosta seca, ou molhada, é palavrão, então procuradores o disseram. As decisões arbitrárias e persecutórias de um juiz, ao arrepio da Lei e desrespeitando e cerceando o direito de ampla defesa pode e deve ser classificada de forma pejorativa. Foi o que fiz.

    Responder
    • 4 de fevereiro de 2016 em 16:29
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      Prezado João de Paiva.

      Perdoe-me, não entendi seu comentário. Onde a censura? Aqui no blog, eu não a fiz. Pode explicar? Afinal, acho importante deixar claro que estamos em um espaço livre e democrático e que, como alertei, só iria rejeitar comentários surgidos de mesmo IP com vários pseudônimos. Ainda não revi esta decisão por saber certinho do que estou falando. E outros sabem também. Mas censura, principalmente aos seus brilhantes comentários, jamais me passou pela cabeça exercer. Abraços e espero continuar contando com suas brilhantes colaborações. Marcelo Auler

      Responder
      • 5 de fevereiro de 2016 em 09:42
        Permalink

        Marcelo Auler,

        Eu postei um comentário em que usei um trocadilho, usando o título “freio suíço”, fazendo alusão ao ‘queijo suíço’ e ao instrumento de perseguição política em que se transformou a operação Lava Jato. Não tenho cópia desse texto, que postei no dia seguinte à publicação da reportagem. A expressão mais forte e pejorativa que usei diz respeito às freqüentes e repetidas ‘defecadas’ dos policiais federais, dos procuradores do MP e do juiz sérgio moro, já demonstradas na série de reportagens que você produziu, bem como nas diversas interpelações feitas ao magistrado citado, tanto no CNJ, como nos tribunais superiores (O Conjur aponta pelo menos 18 episódios desse tipo).

        Responder
        • 5 de fevereiro de 2016 em 10:48
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          Sr. João de Paiva, Seu comentário, que foi postado duplamente, estava na caixa de spam por motivos que eu nao sei explicar. Já os liberei. Peço desculpas, appesar de não ter tido responsabilidade na interpretação do comentário como spam. Atenciosamente Marcelo Auler

          Responder
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