A sobrevivência do blog precisa da ajuda dos leitores

marcelo-auler-reporterHá dez meses lancei este blog com a ideia de trazer aos leitores informações novas, fruto do meu aprendizado em 40 anos de jornalismo e também das minhas muito boas fontes. Neste período, segundo os dados do Google, o blog foi visitado por 155 mil pessoas que acessaram 331 mil páginas. Apenas nestes 42 dias de 2016, o público registrado no Google foi de 71 mil visitantes com acesso a 125 mil páginas. Cresceu. Espero que continue crescendo e me esforçarei para isso. Leia mais

A volta do “Amigo da madrugada”: EBC renovará contrato com Adelzon Alves

Marcelo Auler

Reeditado às 14H30 a partir da nota enviada pela EBC 

 

Email da Comunicação Social da EBC anunciando a volta do "Amigo da madrugada"

Email da Comunicação Social da EBC anunciando a volta do “Amigo da madrugada”

Depois de diversos blogs – Marceu Vieira, Tijolaço, Jornal GGN – terem criticado a retirada do ar do programa “O Amigo da Madrugada”, de Adelzon Alves, a Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) decidiu renovar o contrato com o radialista que há 55 anos domina as madrugadas do Rio.

          Em nota oficial distribuída por e-mail, às 13H24, a comunicação social da empresa informou que “o contrato com o produtor musical e apresentador Adelzon Alves está em processo de renovação”.

Segundo a nota, a “expectativa é de que o Programa “Adelzon Alves, O Amigo da Madrugada” volte a ser exibido na próxima semana”. A nota admite ainda que contratos de outros programas também estão em processo de renovação.

A nota não explica porque a renovação não foi automática, como sempre ocorreu no caso de Adelzon Alves. Provavelmente por a atual diretoria ainda manter alguns nomes levados por Laerte Rimoli. Ao assumir, em maio passado, após o golpe do impeachment, o governo interino tentou destituir Ricardo Melo que tinha acabado de ser nomeado por Dilma Roussfeff para a presidência da Empresa. Como a lei que criou a EBC lhe garantia um mandato de dois anos, Melo recorreu ao Supremo Tribunal Federal e conseguiu reassumir sua função.

Na diretoria, porém, permanecem alguns nomes levados por Rimoli em sua meteórica passagem pela empresa. É ela que esta fazendo a revisão dos contratos. Certamente a repercussão negativa a partir da primeira notícia do caso divulgada por Marceu Vieira levou os diretores a apressarem esta avaliação. Poderia aproveitar para remunerar condignamente Adelzon pela bagagem cultural na sua área de atuação. Merece mais do que recebe.

Abaixo mantenho a postagem feita mais cedo. Leia mais

Nelma Kodama, doleira da Lava Jato, beneficiada por Moro, posa de modelo para Veja

Marcelo Auler

No Instagram de Ulisses Campbell, a foto de Jefferson Coppola, depois de outra foto ter sido rejeitada no Face book

No Instagram a foto de Jefferson Coppola, depois de outra foto ter sido rejeitada no Face book

Pelas informações do jornal O Estado de S.Paulo de domingo (17/07), graças às delações premiadas, quinze dos condenados pela Operação Lava Jato já reduziram suas penas em 326 anos Isso corresponde a 28% dos 1.149 anos de prisão sentenciados pelo juiz Sérgio Moro.

Sorte maior, porém, teve a doleira Nelma Kodama. Com uma primeira condenação de 15 anos e investigada em mais 15 inquéritos ainda em andamento, mesmo sem ter delatado ninguém nas investigações da Lava Jato, teve a prisão domiciliar antecipada em três meses por Moro. Foi uma decisão atípica, em um despacho cujo teor está sendo mantido em segredo, como ele determinou:

“Por ora mantenho o sigilo sobre estes autos em relação a terceiros”.

Com isso, desde o final de junho ela está em casa, em São Paulo. Aproveitando-se da tornozeleira eletrônica de uso obrigatório, estreou como modelo em um ensaio fotográfico para a revista Veja.

mensagem no Instagran falando da foto rejeitada no face book

mensagem no Instagran falando da foto rejeitada no face book

É verdade que a foto que a revista publicou na edição desta semana (16 a 22 de julho) é até bem comportada entre outras da série clicada pelo fotógrafo Jefferson Coppola. Como admitiu o repórter no Instagram, houve fotos “mais ousadas”. Teriam sido, inclusive, rejeitadas pelo Face book.

Aguarda-se os próximos capítulos desta “novela” da doleira. Quem sabe ela não surgirá nas revistas masculinas apenas com a tornozeleira, única peça que não pode despir, sob o risco de voltar para detrás das grades? Leia mais

Temer e o porto de Santos: defendendo o indefensável.

Marcelo Auler

N segunda reportagem da série que o blog e o Diário do Centro do Mundo estão fazendo, mostramos as incoerências entre o discurso de Michel temer e a realidade da sua interferência no Porto de Santos. Reprodução.

Na segunda reportagem da série que o blog e o Diário do Centro do Mundo estão fazendo, mostramos as incoerências entre o discurso de Michel temer e a realidade da sua interferência no Porto de Santos. Reprodução.

Na segunda matéria que escrevi pelo acordo feito com o Diário do Centro do Mundo, mostramos como o discurso de Michel Temer, o  vice-presidente que exercita a Presidência após o golpe do impeachment, não condiz com a realidade. Ele tenta passar a imagem de que jamais interferiu nas nomeações políticas para a diretoria da Companhia Docas do Porto do Estado de São Paulo – CODESP. Mas não é o que registros históricos, noticiário da imprensa e testemunho de santistas mostram.

A contradição entre o que ele diz e o que realmente aconteceu surge até mesmo nas entrelinhas de um discurso que fez na Câmara dos Deputados, após o jornalista Rudolfo Lago noticiar as denúncias feitas pela então estudante de psicologia Erika Santos, ex-companheira de Marcelo de Azevedo, que presidiu a CODESP por indicação do então presidente da Câmara, Temer.

A reportagem relembra ainda a briga de Antônio Carlos Magalhães (DEM-BA), que presidia o Senado, com o presidente da Câmara. Foi ACM quem cunhou para Temer o apelido de “mordomo de filme de terror”, como noticiaram à época Andrei Meireles e Guilherme Evelin. O senador baiano, depois de almoçar com Mario Covas, então governador de São Paulo, denunciou as irregularidades cometidas no Porto de Santos na gestão de presidentes indicados por Temer e concluiu: “As coisas morais nunca foram o forte do senhor Temer”.

Esta é a uma nova reportagem da série que nos dispomos a fazer com a ajuda dos leitores que podem contribuir para os gastos que estamos tendo através da nova campanha de crowdfunding do DCM.  Outras matérias estão sendo preparadas. 

Como na matéria postada anteriormente, A PGR omitiu-se na denúncia da caixinha do Porto de Santos para Michel Temer, não reproduzirei aqui a integra da reportagem postada na manhã desta terça-feira no DCM. Publico a abertura e o link para os leitores acessarem a página do blog. Leia mais

O “Pragmatismo suicida” debilita a luta pela volta de Dilma?

Marcelo Auler

Luíza Erundina, do PSOL,  22 votos conquistados com uma posição política bem definida. Foto: Reprodução

Luíza Erundina, do PSOL, 22 votos conquistados com uma posição política bem definida. Foto: Reprodução

Trago aos leitores o artigo que recebi hoje do sociólogo e amigo Luiz Alberto Gómez de Souza, que como já publiquei aqui anteriormente, foi  definido por Frei Betto como “gaúcho  de nascimento, mineiro de coração (arrebatado por Lúcia Ribeiro, juiz-forana) e carioca por adoção”.

Ele aborda um tema polêmico para uns, e muito claro para outros que, como ele, criticam a posição do PT, na eleição do presidente da Câmara. Pessoalmente, jamais defenderia o voto em Rodrigo Maia (DEM-RJ), como ouvi o próprio Lula defender.

Mas, ainda que sujeito a muita crítica – espero que fiquem apenas nela, e não cheguem às agressões – tenho dúvidas se não valeria uma estratégia diferente, com votos da esquerda no peemedebista Marcelo de Castro, do Piauí, em uma tentativa de dividir mesmo a base de apoio ao governo golpista. Óbvio que isto teria que ser feito diante de uma boa negociação em que o candidato assumisse determinados compromissos.

A diferença de Castro para Rogério Rosso (PSD-DF) foi de apenas 36 votos, enquanto Luíza Erundina (PSOL-SP) e Orlando Silva (PCdoB-SP) juntos tiveram 38 votos O que aconteceria se no segundo turno eleição estivessem Maia e Castro? Como se comportariam deputados do centrão que estão se sentindo alijados pelo governo interino?

São meras conjecturas. Como disse acima, não tenho certezas, mas dúvidas. Não discordo totalmente da posição do PSOL. muito menos de petistas como Tarso Genro. Mas, questiono se existiria ou não saída diferente? Talvez, jamais eu descubra isto.

Fiquem, pois, com o pensamento de Luiz Alberto, que apresenta  muito mais certezas do que eu. Em algo, pelo menos, concordo em número gênero e grau com ele, quando afirma que a disputa eleitoreira de 2018 pode estar prejudicando o projeto prioritário que é a volta de Dilma Rousseff:

E pior e mais grave ainda, isso está debilitando a luta prioritária contra o impeachment, passada nestes dias para um segundo plano por razões eleitoreiras. Terão alguns deixado Dilma de lado, pensando talvez numa incerta e discutível estratégia para construir a candidatura de Lula em 2018? Mas a que custo? Estamos neste momento diante de mais uma aliança espúria, com um DEM que até o momento fenecia (ex-PFL, ex-Arena) e com setores de um PMDB, parceiro desleal, num velho e desgastado acordo“.

Também concordo, quando ele diz que “o importante seria que partidos como PT, PC do B e PSOL – acabei não mencionando o PDT, tenho dúvidas da Rede – construíssem desde já, numa ampla aliança com setores progressistas na sociedade, um programa de reais alternativas, sem restringir-se a estratégias para vencer”.

Leiam e façam as suas apostas, ou críticas. Só não vale agressão.

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MPF sobre Pedalada Fiscal: “ou todos devem ser responsabilizados, ou nenhum o deve”

Dilma_Rousseff

Marcelo Auler

Na quinta-feira (14/07), ao postar aqui o artigo Pedalada fiscal: MPF não vê crime, mas “inadimplemento contratual”, Golpe confirmado, não tinha conhecimento ainda da segunda decisão do mesmo procurados Ivan Claudio Marx, do Ministério Público Federal de Brasília, na qual ele analisou outra  das acusações feitas à presidente afastada Dilma Rousseff.

Mais uma vez a sua conclusão foi a mesma: não houve crime de responsabilidade, quando muinto inadimplemento que pode significar improbidade administrativa. Mas esta improbidade, que ele determinou a investigação, não atingiria a presidente afastada, caso contrário, o processo teria que subir ao Supremo Tribunal Federal.

Fica, portanto, a atualização do caso. O procurador, de forma clara, sem subterfúgios, derruba o principal argumento dos golpistas que destituíram uma presidente eleita com 54 milhões de votos e colocaram um vice-presidente, no minimo oportunista.

Não há, porém, como não destacar alguns trechos do que falou o procurador Marx alertando que o problema é antigo, que outros presidentes também o cometeram e que ou se responsabiliza todos, ou não ser responsabiliza nenhum. Mostra ainda que o Tribunal de Contas da União não cumpriu totalmente seu papel:

No ano de 2000, a Lei 10.028 acrescentou ao Título XI do Código Penal o capítulo ‘Dos crimes contra as finanças públicas’ , dentre os quais se encontra o artigo 359-A que define como sendo crime ‘ Ordenar, autorizar ou realizar operação de crédito, interno ou externo, sem prévia autorização legislativa’.

A partir desse momento e, considerando-se a amoldagem do contrato da União com a CEF ao conceito de operação de crédito (como aponta o TCU), o crime passara a ocorrer.

Parecer MPF sobre pedalada final editadoAssim, não foram os aumentos nos volumes de débitos da União, surgidos a partir de 2013, que configuraram o crime de ‘operação de crédito sem autorização legislativa’.

De modo que, desde o ano de 2000 esse crime vem sendo praticado e todos seus praticantes devem ser responsabilizados ou nenhum o deve, no caso de se entender que não tinham conhecimento de que o tipo penal criado no ano de 2000 se amoldava àquela praxe preexistente e que permanecera até 2015 sem qualquer questionamento por parte das autoridades de controle (TCU, MPF, etc).

Ainda, e mais curioso, seria o fato de que esse crime continuaria sendo praticado, inclusive no instante em que essas letras estão sendo jogadas no papel.

Isso em razão de que o TCU, muito embora tenha apontado a existência de crime no caso, não determinou nenhuma medida para sua correção, limitando-se a determinar que os débitos não deveriam mais se acumular e, ainda, que deveriam ser captados pelo BACEN para as estatísticas fiscais. Ou seja, o TCU aponta a existência do crime de operação de crédito, mas determina correções apenas no que se refere aos atos de maquiagem fiscal (atrasos sem captação pelo BACEN para fins de estatística).

Essa é a maior prova de que o problema está na relevância financeira do atraso dos pagamentos aliada a sua não captação pelas estatísticas do BACEN (a verdadeira ‘pedalada’ que constitui ato de improbidade administrativa) e não na existência de uma ‘operação de crédito não autorizada’ na relação contratual estabelecida entre CEF e União.

Se o problema estivesse na raiz, haveria que se proibir e coibir a prática do duelo e não apenas a utilização de tiros extras. Ou seja, se o crime é realizar a operação de crédito sem autorização legislativa e se no caso dos contratos da União com a Caixa esse crime se apresenta, existiriam apenas duas soluções: 1. Encerrar os contratos, passando a União a pagar diretamente os benefícios sociais sem a intermediação da CEF ou; 2. Providenciar a autorização legislativa (como no caso do FGTS, acima referido) para o prosseguimento das operações. No entanto, nenhuma dessas medidas foi apontada como sendo necessária”.

Ou seja, como deixa claro o procurador da República, apontaram erros e falhas, mas não mostraram a solução do problema. O que pode ser visto como tendencioso.

Vou, para poupar esforços e até  mostrar imparcialidade, repetir aqui a notícia divulgada ontem no site da Procuradoria da República do Distrito Federal. Aos interessados em ler a integra da decisão, segue aqui o link do despacho do procurador pedindo o arquivamento do caso ao juiz federal criminal. Não se trata, portanto, de uma decisão final, mas do entendimento do membro do MPF que pode ou não ser aceito pela Justiça.

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Pedalada fiscal: MPF não vê crime, mas “inadimplemento contratual”, Golpe confirmado

Marcelo Auler

Parecer MPF sobre pedalada BNDES editado

Parecer do procurador Marx, mostrando que não houve pedalada, tampouco crime de responsabilidade da presidente Dilma; O que ocorreu foi “maquiagem” que, para ele, é improbidade administrativa. Mas, não da presidente. E agora, vão aprovar o afastamento dela sem crime caracterizado? – Reprodução Editada das fls 3 e 4 do parecer.

Certamente a grande imprensa e o governo interino golpista não badalarão esta decisão do procurador da República Ivan Cláudio Marx, do Ministério Público Federal de Brasília. Se possível, até esconderão. Afinal, ele mostra que a tal “pedalada” fiscal que acusaran a presidente afastada Dilma Rousseff com relação ao BNDES não existiu. Ao contrário do que disse o tribunal de Contas da união, ele de forma clara afirma:

No caso da equalização de taxas devidas ao BNDES referentes ao PSI, não há que se falar em operação de crédito já que o Tesouro deve aos bancos a diferença da taxa e não ao mutuário (…) há um simples inadimplemento contratual quando o pagamento não ocorre na data devida, não se tratando de operação de crédito. Entender de modo diverso transformaria qualquer relação obrigacional da União em operação de crédito“.

Ou seja, o procurador Marx – será que vão implicar com o sobrenome???? – deixa claro que não houve crime de responsabilidade da presidente. Na sua descrição, houve uma maquiagem que pode ser entendida como Improbidade Administrativa. Mas, não da presidente Rousseff e sim de outros servidores, , contra os quais ele manda prosseguir o Procedimento Investigatório Criminal.

O release da Procuradoria da República do DF é claro e direto:

No documento, o procurador da República Ivan Cláudio Marx faz o arquivamento parcial do procedimento no que diz respeito à prática de crime de operação de crédito no caso dos atrasos da União ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)” .

E agora, o Senado vai insistir em um impeachment quando não há caracterização de crime por parte de quem representa o papel de Fiscal da lei? Isto apenas confirmará o Golpe que o vice-presidente no exercío interino da Presidência e sua trupe tentam esconder.

Leia aqui a íntegra do relatório do DESPACHO COM ARQUIVAMENTO PARCIAL, do procurador Marx. Abaixo, a matéria publicada pela Assessoria de Comunicação da Procuradoria da República. Leia mais

Ocupação na UFRJ: DCE não quer Polícia Rodoviária no campus na Olimpíada

Marcelo Auler

DCE Mario Prata ocupa campinho no Camous da UFRJ na Praia Vermelha 13.07.2016 (2)

Na noite de quarta-feira (13/07) cerca de 15 barracas foram armadas por aproximadamente 40 alunos.Eles não querem que o espaço que seria usado para um bandejão passe a abrigar “forças da repressão” nos Jogos Olímpicos. Foto: Mídia Ninja.

No “campinho” da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Praia Vermelha, a promessa de construção de um bandejão, instalado em container, completou dois anos sem se concretizar. Mas, em poucas semanas, a comunidade acadêmica assistiu ser erguida uma nova estrutura para abrigar a Polícia Rodoviária Federal (PRF) durante a Olimpíada, Para impedir o uso da área por forças policiais, cerca de 40 alunos, comandados pelo DCE Mário Prata, ocuparam, na noite de quarta-feira (13/07), o espaço. Quinze barracas foram armadas.

Nós estamos absolutamente contrários à presença da Polícia Rodoviária Federal (PRF) aqui, principalmente pelo fato de ser uma amostra da conivência da Universidade com os Jogos Olímpicos, da forma como ele vem sendo tocado. Somos contra ceder um espaço público, ceder um espaço da universidade para colocar uma força policial que nós sabemos que irá reprimir os movimentos sociais, assim como vem reprimindo durante a preparação para estes jogos, fazendo remoções, proibindo manifestações, etc.. Achamos que o papel da universidade não pode ser o de apoiar uma Olimpíada como esta“, explica Pedro Aquino Paiva, diretor do DCE. Leia mais

A PGR omitiu-se na denúncia da caixinha do Porto de Santos para Michel Temer

Marcelo Auler

No Diário do Centro dom Mundo o início de uma série de reportagens

No Diário do Centro dom Mundo o início de uma série de reportagens

Nesta quarta-feira (13/07), o Diário do Centro do Mundo (DCM), com a publicação da matéria Por que Temer negou-se a dar explicações à PF sobre caso de propina em Santos, deu início ao que deverá ser uma série de matérias que produzirei, em um acordo fechado no mês de maio, sobre o vice-presidente no exercício interino da Presidência, Michel Temer.

Trata-se de um projeto lançado através de uma campanha de crowdfunding do DCM, com a qual os leitores podem contribuir financeiramente, para fazer frente às despesas e ao pagamento deste repórter.

Neste trabalho, que já me fez viajar pelo eixo Rio/São Paulo/Santos por três vezes, conquistando, inclusive, uma forte gripe que me deixou dois dias fora de combate, tentamos aprofundar, com a busca de mais detalhes, uma história que já circulou em diversos órgãos de imprensa, iniciando com a revista Veja, em março de 2001, em reportagem de  Rudolfo Lago. A ele, o mérito da primeira reportagem sobre a briga da então estudante de psicologia, Érika Santos, com seu ex-companheiro, Marcelo de Azeredo, que presidiu a Companhia Docas do Estado de São Paulo CODESP, administradora do Porto de Santos.

Graças a esta briga e à reportagem de Lago é que veio a público, em uma época que a revista Veja fazia jornalismo sem partidarismo, a revelação do possível envolvimento de Michel Temer com propinas e caixinhas que teriam rolado no Porto de Santos, dm administrações patrocinadas pelo PMDB que Temer já controlava.

Mais recentemente, o Viomundo, de Luiz Carlos Azenha, com a reportagem A longa viagem de um inquérito que apurou supostas propinas de R$ 2,7 milhões recebidas por Michel Temer no porto de Santos, o Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim, em A prova da propina a Temer, e o Jornal GGN, de Luis Nassif, em Surgem imagens do processo que acusou Temer de receber propina em Santos voltaram às denúncias de Érika.

O DPF Cássio Nogueira só falou os detalhes da investigação que fez por estar hoje aposentado. Foto Marcelo Auler

O DPF Cássio Nogueira só falou os detalhes da investigação que fez por estar hoje aposentado. Foto Marcelo Auler

Meu lado de sorte foi ter chegado ao delegado Cássio Nogueira, hoje com 51 naos, após a sua aposentadoria, em 2014. Antes dela, até por determinações internas do Departamento do Polícia Federal (DPF), ele jamais falou o que disse na entrevista que nesta quarta-feira o DCM publicou, narrando os detalhes da investigação e aonde ela esbarrou.

É preciso lembrar que, na época em que ele assumiu o caso, 2008/2009, Temer dispunha de garantias do mandato parlamentar. Mais ainda, detinha prestígio e prerrogativas como presidente de um dos Poderes, a Câmara dos Deputados. Jamais um delegado poderia, por exemplo, levá-lo coercitivamente para depor, ainda que como testemunha. Tal ordem só se partisse do Supremo Tribunal Federal (STF) mas, ainda assim, Temer poderia limitar-se a prestar esclarecimento por escrito.

O que ficou claro, nesta história, foi a omissão da Procuradoria Geral da República, através dos procuradores-geral Geraldo Brindeiro e Roberto Gurgel, com relação à necessidade de se aprofundar a investigação. Mas eles resolveram passar atestado de bons antecedentes ao então presidente da Câmara, tanto em 1999/2000, quando Érika fez sua primeira delação, como em 2009, quando o delegado Nogueira pretendia aprofundar seu trabalho, mas precisava de autorização do Supremo para prosseguir.

É inevitável, nos dias atuais, comparar-se tais atitudes com o que vem sendo feito na Operação Lava Jato. O curioso é que como se verá adiante, nas futuras reportagens, há personagens no caso do Porto de Santos que reaparecem na Lava Jato, como está acontecendo com Temer. Mas não apenas ele, também a Construtora Andrade Gutierrez,

Não pretendo reproduzir aqui a integra da reportagem publicada no DCM. Trago apenas alguns parágrafos, colocando o link para os interessados acessarem o material. Mas fica, aos leitores do blog, a explicação para a alguns momentos de ausência meus nesta página, justamente pelo empenho em fazer as reportagens combinadas com o Diário do Centro do Mundo. Leia mais

Renúncia de Cunha não visa só o mandato, mas também a absolvição no STF

Marcelo Auler

Em abril o blog advertia para a armação que poderia estar sendo feita. Ao que parece, começaram a tentá-la. Irão conseguir?

Em abril o blog advertia para a armação que poderia estar sendo feita. Ao que parece, começaram a tentá-la. Irão conseguir?

A renúncia de Eduardo Cunha à presidência da Câmara não deve ser vista apenas como uma “jogada” para salvar o mandato parlamentar dele, o que parece óbvio a todos. Mas, ela pode esconder uma aposta muito mais forte, a da absolvição do parlamentar nos processos criminais que ele responde.

Esta possibilidade foi apontada aqui, em 22 de abril, na matéria STF cruza os braços e Cunha pode estar armando sua absolvição, Na época parecia loucura falar em renúncia do então todo poderoso Eduardo Cunha. Sequer Dilma Rousseff tinha sido apeada do cargo pelo golpe do impeachment. No entanto, aqui aventamos a possibilidade que, ao que parece, começa a se concretizar.

Vale lembrar, ele joga com a absolvição dos crimes que cometeu. Para isso, tem que continuar deputado, sendo julgado não mais no plenário do Supremo Tribunal Federal, mas na segunda turma daquela corte, hoje presidida por Gilmar Mendes.

Basta ver o roteiro que está sendo seguido. Na quinta-feira (07/07), na mesma tarde em que Eduardo Cunha com lágrimas nos olhos, que não convenceram a ninguém, anunciava a renúncia ao cargo de presidente da Câmara, Fernando Brito, no Tijolaço, respaldado em reportagem de O Globo, expunha que era uma jogada armada com o vice-presidente que exerce interinamente a presidência após o golpe, Michel Temer. Consta do blog dele, na matéria Temer fez acordo para preservar mandato de Eduardo Cunha, diz O Globo:

“O insuspeito jornal O Globo publica, neste momento, como manchete:

O acordo que possibilitou a renúncia do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à presidência da Câmara consistiu em lhe dar uma sobrevida ao fazer com que seu processo retorne ao Conselho de Ética. Em uma articulação da qual participaram o presidente interino, Michel Temer, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Osmar Serraglio (PMDB-PR), além de outros parlamentares do PMDB e de partidos da base, ficou decidido que, em troca da renúncia, o processo de cassação do mandato do qual Cunha é alvo será devolvido, de ofício, ao Conselho.

Trocando em miúdos, o presidente da República em exercício é cúmplice direto da tentativa de salvar o mandato de um ladrão, o ladrão que lhe deu, com a montagem da votação que abriu o processo de impeachment, a cadeira do Palácio do Planalto”. Leia mais

Delegado Eduardo Mauat: foi por ideologia ou pelas diárias?

Marcelo Auler

O vídeo inserido pelo movimento NasRuas, com o delegado federal Eduardo Mauat conclamando a sociedade a questionar medidas administrativas adotadas pelo Departamento de Polícia Federal (DPF) é algo sui generis. Confesso que em 42 anos de jornalismo não vi nada igual. Menos ainda sem qualquer reação da cúpula do DPF dfiante de um ato que soa – pode até não ser – uma insubordinação.

Curioso é que o próprio delegado fala que na instituição há profissionais capacitados para darem continuidade ao trabalho. Se ele próprio reconhece isso, o que o leva defender o questionamento público de atos meramente administrativos? Será que por detrás desta transferência existem outros fatores desconhecidos do público? Quais seriam?

Quem ouve o vídeo, que reproduzimos abaixo, verifica que o conselho do delegado é a bastante democrático:

“Espero que a Lava Jato deixe este legado, legado de questionamento, de inteiração, de protesto, de elogio, seja lá o que for. Que as pessoas questionem mais os problemas nacionais”

Não me cabe aqui questionar se a transferência dele foi ou não algum ato de retaliação. Mas, na medida em que ele sugeriu que “a sociedade é legítima para fazer o questionamento que ela entender pertinente para debater, interagir, para perguntar, o que cada ato vai repercutir no andamento da Operação”, me acho no direito de lhe fazer um questionamento direto. E desde já, como sempre, o espaço do blog está aberto para ele se manifestar da forma que quiser. Leia mais