A sobrevivência do blog precisa da ajuda dos leitores

marcelo-auler-reporterHá dez meses lancei este blog com a ideia de trazer aos leitores informações novas, fruto do meu aprendizado em 40 anos de jornalismo e também das minhas muito boas fontes. Neste período, segundo os dados do Google, o blog foi visitado por 155 mil pessoas que acessaram 331 mil páginas. Apenas nestes 42 dias de 2016, o público registrado no Google foi de 71 mil visitantes com acesso a 125 mil páginas. Cresceu. Espero que continue crescendo e me esforçarei para isso. Leia mais

Venceu a impunidade: investigação das propinas em Santos envolvendo Temer foi arquivada.

Marcelo Auler

A lerdeza dasinstituições em apurar crimes supostamente cometidos entre 1995 e 1998 e denunciados em 2000, beneficiou Michel YTermer e Marcelo de Azeredo. A impunidade foi garantida, mais uma vez. Fotos: reproduções

A lerdeza das instituições em apurar crimes supostamente cometidos entre 1995 e 1998 e denunciados em 2000, beneficiou Michel Temer e Marcelo de Azeredo. A impunidade foi garantida, mais uma vez. Fotos: reproduções

Reproduzo aqui a mais recente matéria do trabalho conjunto que fiz com o Diário do Centro do Mundo. Ela mostra como se cria a impunidade para políticos que não são do PT. Investigações sobre as denúncias contra Michel Temer, feitas em 2000, ficaram rolando de um lado para outro até prescreverem. Com isto, ao analisar o caso neste mês de agosto, a procuradora da República Karan Louise Jeanette Kahn  não teve alternativa a não ser propor o arquivamento de tudo. Temer e seu afilhado político, Marcelo de Azeredo, que foi presidente da Companhia de Docas do Estado de São Paulo – CODESP –  por indicação do então presidente da Câmara dos Deputados, ficarão impunes criminalmente.

No trabalho em conjunto com o DCM, conseguimos acessar um antigo inquérito policial no qual o acusado Azeredo prestou depoimento. Negou as denúncias que a  sua ex-companheira, Erika Santos, fez na Vara de Família.

Neste inquérito, na Delegacia de Prevenção e Repressão a Crimes Fazendários (DELEFAZ) da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo (SR/DPF/SP) foram ouvidos os principais personagens pelo delegado federal Ricardo Atila Barbosa. Além de Azeredo, prestaram depoimento  seu pai Ronaldo Pinto de Azeredo, sua irmã Carla de Azeredo (todos em agosto de 2004) e Érika (outubro do mesmo ano). Michel Temer, como noticiamos em A PGR omitiu-se na denúncia da caixinha do Porto de Santos para Michel Temer, foi convidado a prestar depoimento como testemunha em um inquérito em Santos, mas jamais respondeu ao convite.

No depoimento de Marcelo Azeredo as informações sobre o relacionamento dele com Erika, divergem.....

No depoimento de Marcelo Azeredo as informações sobre o relacionamento dele com Erika, divergem…..

Nos depoimentos há diversas contradições, mas não houve acareações para dirimi-las.  Inclusive, as mais simples, como se poderá ver no que falaram Azeredo e Erika a respeito do tempo em que permaneceram juntos e moraram debaixo do mesmo teto. Ele falou em uma relação de apenas um ano e meio, durante a qual moraram juntos nos últimos dois meses.

Já na versão dela, a relação durou de 1997n a julho de 2000, tendo se mudado para o apartamento dele em meados de 1999.

Ele fala que não lhe  deu dinheiro. Ela apresentou inclusive extratos do cartão de crédito que tinha como dependente dele e na ação na Vara de Família, falou em uma mesada de R$ 5 mil mensais. Por isso, pediu R$ 10 mil de “pensão”, para manter o mesmo padrão de vida.

Mas, em algo, eles pareceram “acertados”. Justamente ao desmentirem a ocorrência de caixinha e propina na CODESP que ela mesmo alegou terem beneficiado o próprio Azeredo e seu padrinho político, Temer.

Azeredo, como era de se esperar, negou “peremptoriamente o recebimento de qualquer quantia por parte de quaisquer empresas privadas, conforme informado por Érika”. Disse ainda ter sido indicado para o cargo após ser sabatinado pelo então ministro dos transportes de Fernando Henrique Cardoso, Odacir Klein (PMDB-RS). Mas não especificou quem o indicou ao ministro para o cargo.

... das informações que Érika deu na polícia. Tanto no tempo de relacionamento, como no período que estiveram debaixo do mesmo teto.

… das informações que Érika deu na polícia. Tanto no tempo de relacionamento, como no período que estiveram debaixo do mesmo teto.

Sobre Temer,  admitiu apenas que mantinha uma relação meramente partidária, por ser filiado ao PMDB e ter, inclusive, concorrido a deputado estadual em 1994. Mas, como já expusemos na reportagem acima citada, ao assumir o cargo deixou claro para os diretores que estava ali graças ao então presidente da Câmara dos Deputados. Na época, foi claro: se espalhassem isto, ele desmentiria.

Érika também tentou negar que partisse dela as denúncias das propinas que teriam beneficiado o ex-marido e o então deputado Temer. Disse ter recebido documentos anonimamente e encaminhados aos seus dois advogados, Martinico Izidoro Livovschi e seu filho Sérgio, Segundo ela, só ao ler a ação no fórum, foi que ficou sabendo “dos fatos supostamente delituosos imputados a Marcelo”. Negou ainda ter autorizado os advogados a “fazerem essas denúncias contra seu ex-companheiro”.

Ela, porém, foi desmentida pelos advogados Livovschi, pois os dois garantiram que a minuta da inicial da ação lhe foi apresentada e ela, em um fax, fez modificações e acréscimos. Pai e filho, em depoimentos separados, fizeram o delegado registrar que “as denúncias ali constantes foram feitas obedecendo a uma exigência de Érika que acreditava que as mesmas poderiam pressionar Marcelo a realizar um acordo rapidamente”.

Erika Santos, após separar-se de Marcelo Azeredo, conseguiu manter seu estilo de vida. Foto: reprodução de suas páginas nas redes sociais.

Erika Santos, após separar-se de Marcelo Azeredo, conseguiu manter seu estilo de vida. Foto: reprodução de suas páginas nas redes sociais.

Quem se debruça sobre esta história conclui facilmente que a denúncia existiu o que não significa que o crime ocorreu, muito embora as probabilidades sejam grande.

Afinal, a própria Erika admitiu que “o alto padrão de vida” do ex-companheiro “lhe chamasse a atenção. Sempre viajavam em primeira classe, hospedando-se em hotéis cinco estrelas, frequentando restaurantes caros”.

Ou seja, alegou não ter feito a denúncia, mas tinha consciência de que ele vivia um estilo de vida acima do que seria possível com seu rendimento legais. As receitas acima do salário e sem explicações, foram confirmadas pela Receita Federal, como mostramos na matéria Autuação da Receita confirma denúncias das propinas em Santos. Temer foi poupado.

Muito provavelmente ela foi pressionada a desmentir o que denunciou e pode sim ter feito um acordo extrajudicial com o ex-marido, apesar de todos os advogados que a atenderam desconhecerem isto.

Conseguiu, batalhando muito – como mostramos em Erika Santos, a ex-estudante que denunciou Temer, e seus mistérios a serem desvendados -, sobreviver em um bom estilo de vida. Mas ficou em falta com  sociedade ao recuar nas denúncias que fez. Aliás, o fato dela não ter sido molestada oficialmente pelo ex-marido é mais uma forte suspeita de que o que ela disse era verdade. Faltou vontade política de quem de direito para apurar e punir os possíveis crimes. Assim, prevalece a impunidade.

Abaixo a abertura da matéria no DCM onde é possível acessar aos depoimentos na polícia na íntegra. Leia mais

Credibilidade Capenga

Arnaldo César (*)

TV Globose vangloria da cobertura dos Jogos Olímpicos, mas na hora de mostrar as mentiras dos nadadores americanos que atingiam a todos os cariocas e brasileiros, não tinha vídeo seu. Reproduziu o do jornal DailyMail.

TV Globose vangloria da cobertura dos Jogos Olímpicos, mas na hora de mostrar as mentiras dos nadadores americanos que atingiam a todos os cariocas e brasileiros, não tinha vídeo seu. Reproduziu o do jornal DailyMail.

No último dia das Olimpíadas, a mídia brasileira não se conteve. Indistintamente, todos os veículos aproveitaram dos momentos finais para jogarem confetes neles mesmos. Sem qualquer pudor, as rádios e as TVs gabaram-se de terem colocado no ar mais de 200 horas seguidas de transmissão de competições esportivas acompanhadas de seus respectivos noticiários. Os jornais e as revistas jactaram-se das quantidades monumentais de páginas impressas.

Sobre a qualidade do conteúdo oferecido aos telespectadores/leitores nenhuma menção. É justamente aí que reside toda a fragilidade do jornalismo brasileiro. Quando se trata de narrar o que está acontecendo às vistas de todos vamos bem. Quando é necessário investigar ou apurar um fato, a coisa muda de figura. Leia mais

Suspeitos de “terrorismo” mantidos presos e isolados já são segregados: nova Escola Base?

Marcelo Auler

A ordem judicial era para a Operação Hasthg ser feita em sigilo. Mas, no dia das prisões, ospresos foram fotografados quando conduzidos pela Polícia. Outras fotos foram distribuídas e circularam abertamente. Isto, apesar de o próprio juiz dizer que ainda estavam apurando os fatos. "Me preocupa inclusive que alguns após as prisões sofram com alguma situação de abandono familiar e social ainda maior", diz a defensora pública Rita Cristina.

A ordem judicial era para a Operação Hasthg ser feita em sigilo. Mas, a Polícia Federal permitiu foto dos presos ao serem conduzidos. Outras fotos foram distribuídas e circularam abertamente. “Me preocupa inclusive que alguns após as prisões sofram com alguma situação de abandono familiar e social ainda maior”, diz a defensora pública Rita Cristina.

Um mês de investigações não permitiu à Polícia Federal indiciar nenhum dos 12 suspeitos presos entre 21 e 24 de julho sob a acusação de serem simpatizantes do Islamismo e terem ligações com o grupo terrorista Estado Islâmico (EI)

Mesmo sem que nenhum deles tenha sido oficialmente indiciado em algum crime, na noite de quinta-feira (18/08), o juiz federal Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal de Curitiba, renovou por 30 dias a prisão temporária. Oficialmente, segundo a nota divulgada pela Justiça Federal, um dos motivos da prisão é o fato deles simpatizarem com os “ideais difundidos pelo grupo extremista Estado Islâmico”. Na decisão, porém, também teve peso a realização dos “Jogos Paralímpicos Rio 2016″, entre 7 e 18 de setembro, no Rio de Janeiro, o que a nota omite.

Em uma atitude típica do Estado Policial, isolaram suspeitos, sem culpa formada, na expectativa de se garantir a segurança pública. Enquanto isso, em diversos pontos do país, facções criminosas continuam agindo e espalhando pânico, como ocorreu no Rio Grande do Norte; na Vila do João, no Rio; e no ABC paulista, no assalto à uma empresa de transporte de valores.

Marcos Josegrei da Silva acatou o pedido da polícia Federal por mais prazo e manteve os suspeitos presos. - Foto reprodução

Marcos Josegrei da Silva acatou o pedido da polícia Federal por mais prazo e manteve os suspeitos presos. – Foto reprodução

Para o juiz Josegrei, que havia prometido rever as prisões após os primeiros 30 dias, “a despeito dos esforços evidentes, a complexidade dos fatos em investigação e a quantidade de indivíduos envolvidos justifica a não conclusão da análise do material coletado, no prazo de 30 dias”.

Em manifestação feita na manhã desta sexta-feira, a defensora pública Rita Cristina de Oliveira, responsável pela defesa de 14 investigados, nove dos quais presos, criticou a decisão do juiz principalmente por que ela “além de não trazer novos elementos sobre a necessidade das prisões, não analisa, de forma individualizada, a necessidade de renovação das prisões em relação a cada um dos investigados, o que a torna flagrantemente violadora às leis processuais e à Constituição da República”.

Muito embora a Justiça Federal do Paraná insista que o processo continua em segredo, na verdade, os vazamentos seletivos que ocorreram expuseram todos os presos à opinião pública.

Não há como não se fazer um paralelo com outro caso nada dignificante para a imprensa brasileira: a história da Escola Base, ocorrido em 1994. Na época, fiando-se na palavra da polícia, a mídia de uma maneira em geral – com raras exceções – ajudou a massacrar quatro pessoas, com base no que a polícia falava. O tempo mostrou que eles não tinham qualquer culpa, mas já estavam arruinadas. A história se repetirá?

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Graças a Lula, as Forças Armadas se beneficiam dos “atletas militares temporários”

Marcelo Auler e David Deccache

Mosaico dos mdedalhistas militaresNa postagem que editamos quarta-feira (17/08) – Vejam os medalhistas. E querem reduzir (acabar?) os programas sociais? – mostramos que os programas sociais, que os neoliberais do governo golpista Michel Temer propõem reduzir, ajudaram a, pelo menos, dez dos onze medalhistas brasileiros nestas Olimpíadas.

Nesta quinta-feira, com a conquista de uma nova medalha de bronze por Isaquías Queiróz dos Santos na canoagem, são 11 medalhas, das 13 que o Brasil ganhou, conquistas por atletas que se beneficiaram de programas sociais do governos.

Destacamos, inclusive, que as Forças Armadas apoiam 145 dos 465 atletas da delegação brasileira, através do Programa de Incorporação de Atletas de Alto Rendimento (PAAR). Trata-se de uma iniciativa do governo Lula, em 2008, com vistas a melhorar a participação das Forças Armadas nas Olimpíadas Militares.

Em uma parceria dos ministérios da Defesa e do Esporte, o PAAR  teve o objetivo de fortalecer a equipe militar brasileira em eventos esportivos de alto nível. Os esportistas têm à disposição todos os benefícios da carreira militar, como salários, plano de saúde, férias e assistência médica, incluindo nutricionista e fisioterapeuta, além de disporem de todas as instalações esportivas militares adequadas para treinamento.

Segundo informações da página do Ministério da Defesa, atualmente, 668 militares fazem parte do Programa Atletas de Alto Rendimento, sendo que 74 são militares de carreira e outros 594 temporários. Desse total, 251 são da Marinha, 230 do Exército e 187 da Força Aérea Brasileira. Dos treze medalhistas brasileiros nas Olimpíadas de 2016, nove estão entre estes “militares temporários), a saber:

Medalhas de Ouro: Thiago Braz da Silva (salto com vara); Robson Donato Conceição (boxe) e Rafaela Silva (judô).

Medalhas de Prata: Arthur Zanetti (atletismo nas argolas); e Felipe Almeida Wu (tiro esportivo).

Medalhas de Bronze: Arthur Mariano Nory (atletismo no solo); Rafel Baby Silva e Mayara Aguiar (ambos no judô); e Poliana Okimoto (natação).

A postagem recebeu críticas, compartilhamentos, mas, principalmente, um adendo bastante importante que foi a análise feita pelo ex-aluno da Escola Naval, David Deccache, que, para minha satisfação, permitiu compartilhar o seu trabalho apresentado na sua página do Face book. Ele, de forma bastante didática, mostra que na verdade as Forças Armadas estão se beneficiando mais destes atletas do que eles dela. Apesar de não se dever desmerecer o apoio. Leia mais

Vejam os medalhistas. E querem reduzir (acabar?) os programas sociais?

Marcelo Auler

“Essa medalha tem um significado especial por ter vindo de um projeto social, mas me dá tristeza ver que isso acabou no Brasil. Se vocês tiverem como tirar fotos dessa medalha, mostrem aos nossos políticos no Planalto para que eles parem de brigar entre si e continuem a buscar novos atletas. Os EUA são uma potência no esporte porque lá existe incentivo do governo”.

Reeditado na quinta-feira (18/08) para acerto do nome do boxeador Robson Caetano que tinha sido identificado como Robson Concveição, atleta de outras Olimpíadas. Ao próprio e aos leitores, meu pedido de desculpas pelo erro.

Reeditado na quinta-feira (18/08) para acerto do nome do boxeador Robson Conceição que tinha sido identificado como Robson Caetano, atleta de outras Olimpíadas. Ao próprio e aos leitores, meu pedido de desculpas pelo erro.

A frase de Isaquias Queiroz, medalha de prata na canoagem, é um soco, tão forte quanto o do baiano Robson Conceição  – medalha de ouro no boxe -. naqueles que criticam e condenam programas sociais. São geralmente os neoliberais que fazem de tudo em defesa do chamado mercado. Falam em reduzir gastos com os mais necessitados para gerar superávit e pagar a dívida (jamais auditada, como deveria ser) e o serviço dela.

Isaquias não é uma exceção. Nestes Jogos Olímpicos Rio 2016, dez das onze medalhas conquistadas pelos brasileiros vieram de atletas beneficiados com programas de incentivo bancados pelo governo,

Para muitos, pode ser considerado dinheiro jogado fora, que poderia gerar o tão desejado superavit que os neo-liberais defendem.

Mas, nem é preciso muito esforço para enxergar que tais projetos não se mostram proveitosos apenas na hora de subir ao pódio, Até chegar lá são centenas de jovens que passam por treinamentos e, com isso, deixam a legião dos desocupados. Consequentemente, a de candidatos à marginalidade. Leia mais

Idiotice Avassaladora

Arnaldo César  (*)

Michel Temer, Renan Calheiros e Eduardo Cunha, todos estão às voltas com denuncias de caixa 2. Agora querem anistia...... Foto reprodução

Michel Temer, Renan Calheiros e Eduardo Cunha, todos estão às voltas com denuncias de caixa 2. Agora querem anistia…… Foto reprodução

Começa a se espraiar pelos bastidores de Brasília a ideia de uma anistia ampla, geral e irrestrita para os políticos as voltas com as suas respectivas prestações de contas de campanha.  Trata-se de um escárnio em seu mais alto grau de pureza. Alguns juristas já estão vindo a público para dar ares de seriedade à traquinagem.

Admitem a hipótese, desde que os “faltosos” concordem em pagar uma multa pelo dinheiro desviado.

Por enquanto, o absurdo vem sendo tratado à boca pequena. Alguns colunistas da grande imprensa, cheios de dedos, tratam do assunto com reservas. O momento não é propicio. O melhor seria falar sobre isso depois do bota fora da presidente Dilma, previsto para o início de setembro.

A sugestão desta absurda “anistia aos corruptos” desnuda de vez as verdadeiras razões pela qual a presidente, legitimamente eleita, está sendo impiedosamente golpeada. Do seu pretenso substituto, o insosso Michel Temer, ao mais insignificante dos ministros indicados por ele, todos têm contas a acertar com a Justiça. Leia mais

O descompasso de Michel Temer na segurança e na Olimpíada

Marcelo Auler*

PM  de Roraima, Hélio Vieira Andrade morto na Vila do João. Foto: reprodução

PM de Roraima, Hélio Vieira Andrade morto na Vila do João. Foto: reprodução

Na definição do vice-presidente no exercício interino da Presidência da República, Michel Temer, o assassinato do soldado da PM de Roraima, Hélio Vieira Andrade, a serviço da Força Nacional no Rio de Janeiro, foi um “lamentável acidente, mas que foi imediatamente combatido“.

Ainda que a palavra “acidente” em uma das definições do dicionário Houais seja “qualquer acontecimento, desagradável ou infeliz, que envolva dano, perda, lesão, sofrimento ou morte”, a primeira das previsões dele é “acontecimento casual, inesperado, fortuito“. O assassinato do policial não teve nada de casual, inesperado ou fortuito.

Logo, ao pé da letra e da definição de Houaiss, acidente foi o que ocorreu, por exemplo, com a ciclista holandesa Annemiek van Vleuten ao sofrer uma queda no domingo , 7 de agosto, na disputa da prova do ciclismo de estrada nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Ou o infortúnio vivido pela ginasta olímpica Jade Barbosa, na quinta-feira diz 11, quando no meio de sua apresentação final do individual geral feminino, na Arena Olímpica da Barra.

A ginasta Jade Barbosa chora, após o acidente que provocou-lhe uma lesão no tornozelo. Foto: reprodução da internet

A ginasta Jade Barbosa chora, após o acidente que provocou-lhe uma lesão no tornozelo. Foto: reprodução da internet

Usando o próprio dicionário Houaiss, a melhor definição para o assassinato do policial é simplesmente “atentado”:  “infração das disposições legais; ato criminoso ou tentativa de sua perpetração contra pessoas, ideias etc.; ato ofensivo; violação”.

Até por não ter sido a primeira vez que isso ocorreu no mesmo local. Nos arquivos policiais do Rio e da própria imprensa há outros casos idênticos: no último dia 17 de junho, por exemplo, Maria Lucila Barbosa, de 49 anos, foi atingida na perna direita após sair da Avenida Brasil e acessar a Vila do João.

O carro em que estava, tal como aconteceu com o carro da Força Nacional que transportava o soldado Andrade, procurava o caminho da Linha Amarela e, por engano ingressou na comunidade da Vila do João dominada pelo tráfico. Foi também o que aconteceu, em 8 de junho de 2013, com o engenheiro Gil Augusto Barbosa, de 53 anos, baleado na cabeça ao entrar por engano na mesma comunidade.

Ao que parece, não fii a primeira vez e nem será a ultima. Na quinta-feira (11/08), um dia após o atentado ao carro da Força Nacional, o motorista de uma transportadora de São Paulo, Vinícius Nascimento Junqueira, esteve na mesma situação. Seguia pela Linha Amarela e entrou por engano na Vila do João, onde foi recebido a tiros. Conseguiu fugir e chegar à Avenida Brasil, com o caminhão perfurado a bala.

Isto mostra que não se trata de algo  fortuito, um acaso, um acidente. Mas, atentados corriqueiros em uma das áreas da cidade ainda dominada pelo tráfico, mesmo depois de o Complexo da Maré – conjunto de 18 comunidades às margens da Baía de Guanabara, tr sido ocupado por 13 meses por forças militares do Exército e da Marinha. Leia mais

O BLOG VAI MUDAR, ATENDENDO AOS LEITORES!

Marcelo Auler

Nossa nova logomarca.

Nossa nova logomarca.

Neste final de semana, mais especificamente no sábado (13/08), por algumas hora nosso Blog esteve fora do ar. Rapidamente leitores/amigos mais atentos questionaram se a censura nos tinha atingido novamente. Não, ela continua apenas com relação às duas matérias que a delegada Erika Milena, da Força Tarefa da Lava Jato, conseguiu que o 8º Juizado Especial de Curitiba mandasse suspender: “Novo ministro Eugênio Aragão brigou contra e foi vítima dos vazamentos” e “Carta aberta ao ministro Eugênio Aragão”. Com a fundamental ajuda dos nossos amigos do do escritório Rogério Bueno, Advogados Associados, continuamos lutando na Justiça para reverter esta decisão

O Blog, na verdade, está sendo reformado atendendo ao pedido de muitos leitores, que cansaram de reclamar das dificuldades na leitura. Com a ajuda do Carlos Augusto Borges da Silva, o meu mais fiel analista de sistemas, estamos providenciando as mudanças. Infelizmente não deu para ser feita neste final de semana. Vamos precisar do apoio da SailorWeb, que é a responsável pela manutenção da páginas. Esperamos concretizá-la nos próximos dias, assim como fazemos votos que o novo visual e as novas opções satisfaçam aos nossos fiéis leitores. Aguardem mais um pouco.

Jorge Viana sobre o impeachment: “Não aceitam que as Martas e as Rafaelas sejam referências deste país”

Marcelo Auler

Ao analisar o golpe parlamentar que está em prática no Senado para destituir a presidente eleita com 54 milhões de votos, Dilma Rousseff, o senador Jorge Viana (PT-AC), responsabilizou parte da elite brasileira. No seu entendimento, esta mesma elite que não aceita um retirante da seca do nordeste e uma mulher que foi torturada na luta pela democracia chegarem à presidência da República é aquela que não “tolera ter pobre dentro do avião, não tolera ter filho de pobre fazendo faculdade”:

Jorge Viana: "parte da elite brasileira tem preconceitos, xingam os nordestinos" Foto: Pedro França/Agência Senado

Jorge Viana: “parte da elite brasileira tem preconceitos, xingam os nordestinos” Foto: Pedro França/Agência Senado

Eles não aceitam que as Martas, vencedoras nas Olimpíadas, que as Rafaelas, vencedoras de medalhas de ouro, possam ser a referência deste país. Porque, para eles, favelado não é vencedor. Para eles, pobre é vergonha. Agora, ontem (08/08), o Brasil, celebrava a primeira medalha de ouro. De uma menina nascida na Cidade de Deus, que na década de 60, foi usada como um depósito para favelados no nosso país. Ela que viveu o preconceito, ela que viveu todo o tipo de abandono, trouxe a primeira medalha de ouro para o nosso país“.

Veja abaixo o discurso de Jorge Viana na tribuna do Senado e alguns trechos do que ele falou: Leia mais

Sobre o impeachment de Dilma: “o ser humano é ruim por natureza”

Marcelo Auler

No plenário do Senado, o que deveria ser um julgamento isento, tornou-se um jogo de carta marcada. Foto Marcos Oliveira /Agência Senado

No plenário do Senado, o que deveria ser um julgamento isento, tornou-se um jogo de carta marcada. Foto Marcos Oliveira /Agência Senado

Como sabemos, trata-se de um jogo de carta marcada. Não é um julgamento no sentido estrito da palavra, mas uma farsa. Nela, dos 80 “julgadores”, 58 entraram no que deveria ser o  plenário de um “tribunal”, como políticos. Como tal, não encararam a função que lhes reservou a Constituição de julgadores com isenção. Continuaram agindo politicamente, mantendo as querelas e discordâncias políticas que estão acostumados no dia a dia.

Foram à votação com a decisão tomada, independentemente dos argumentos que a defesa fosse apresentar, predispostos a condenar Dilma Rousseff. Claro que 21 deles também chegaram no plenário com posição a favor da presidente. Mas, no mínimo seria incoerência terem votado em maio contra a aceitação da denúncia e agora modificarem suas posições.

Aliás, como fez o senador João Alberto Souza (PMDB-MA), que não viu motivos para que a denúncia fosse aceita, deu diversas declarações contra o impeachment, mas deve ter recebido muitos argumentos que lhe convenceram da posição equivocada. Assim, depois de votar contra em maio, admitiu o julgamento na madrugada desta quarta-feira.

Afrânio Silva Jardim:

Afrânio Silva Jardim: “o ser humano é ruim por natureza”. Foto: reprodução da internet

Pelo andar das votações e predisposição dos senadores, o mesmo jogo de carta marcadas se repetirá quando da votação do impeachment propriamente dito. Mas, está claro, é jogo político. Um golpe. Reforçando esta tese, cito a manifestação do procurador de Justiça do Rio de Janeiro e professor de Direito Penal, Afrânio Silva Jardim, com relação à defesa apresentada na terça-feira (09/08/16) pelo ex-ministro José Eduardo Cardozo.

“Uma das mais belas defesas a que assisti, incluindo meus 16 anos de Tribunal do Júri (…) É uma injustiça o que estão fazendo com a presidente Dilma. Injustiça flagrante”.

É dele a frase que usada no título desta postagem:

O ser humano é ruim por natureza. Não mais acredito neste ser humano forjado por uma civilização fracassada, construída tendo como base genocídios e escravidão!  (veja a integra abaixo, incluindo a defesa que Cardozo fez).

Também vale a pena reproduzir a nota emitida pela Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP) a respeito deste processo do impeachment.

O processo de impeachment contra a presidente democraticamente eleita foi instaurado com argumentos jurídicos que veem sendo refutados por técnicos do Senado Federal, por parecer do Ministério Público Federal (MPF) e especialistas internacionais em recente evento realizado no Rio de Janeiro (Tribunal Internacional pela Democracia no Brasil). Para onde vamos?

Ouso responder à questão, repetindo o que disse da tribuna, na quarta-feira, o senador Jorge Viana (PT-AC), caminhamos para um período de insensatez. Também o outro questionamento feito pela nota da CBJP não é difícil de responder: “Quais as prioridades na perspectiva da atenção à maioria da população, sobretudo os mais pobres?”

Pelo que já estamos vendo ao longo destes três meses de interinidade, falarão mais alto as corporações bem articuladas – e, por isso mesmo, bem aquinhoadas – tais como Judiciário, Ministério Público, servidores do Legislativo e todo escalão do “andar de cima”, cujos vencimentos foram (ou serão) majorados com base no aumento concedido aos ministros do STF. Também não deixará de ser atendida esta entidade abstrata chamada “mercado”. No fundo, se beneficiará a classe mais rica. A própria nota conclui:

O governo interino, assumido pelo vice e sua equipe, anuncia medidas, em várias esferas da vida da população, que apontam para o retrocesso nos direitos arduamente conquistados: educação, saúde, cultura, previdência social, direitos humanos, comunidade negra, populações indígenas, mulheres, a liberdade de expressão e de organização. Mais uma vez na história brasileira a conta da crise é depositada nos ombros dos mais necessitados, das maiorias desprotegidas“.

À maioria da população, sobretudo os mais pobres, como diz a nota, restará pagar a conta. Infelizmente, não será no sentido figurado, mas concretamente falando, nas compras do supermercado, dos remédios, das passagens em transporte público e, bem provavelmente, no aumento dos impostos. Isto para não falar daqueles servidores públicos cujos salários estão sendo pagos com atraso, quando não foram reduzidos, e nos desempregados de uma maneira em geral.

 Como conclui a nota da CBJP, “o processo de impeachment em andamento não responde aos anseios mais profundos do povo brasileiro”

Abaixo reproduzo o texto de Jardim, a nota da Comissão Brasileira de Justiça e Paz e o vídeo com a defesa feita por Cardozo, elogiada por Jardim.

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