Operação Sangue Negro atinge governo de FHC

Marcelo Auler

A Operação Sangue Negro  que está sendo realizada nesta quinta-feira (17/12) pela Procuradoria da República do Rio de Janeiro com a Polícia Federal cumprindo 9 mandados judiciais assinados pelo juiz Vitor Barbosa Valpuesta, substituto no exercício da titularidade da 3ª Vara Federal Criminal, atinge negociações feitas entre a Petrobrás e a empresa holandesa SBM na época do governo tucano de Fernando Henrique Cardoso (1997). O presidente da Petrobras era Joel Renno.

Julio Faerman no depoimento na CPI da Petrobras

Julio Faerman no depoimento na CPI da Petrobras

Toda a investigação tem por base a delação premiada do operador da SBM no Brasil, Júlio Faerman, homologada em agosto passado pelo juízo da 3ª Vara Criminal Federal do Rio. A Vara, aliás, é onde atuava o juiz Flavio Roberto de Souza que acabou aposentado compulsoriamente pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, após ter tirado proveito próprio de apreensões feitas no caso de Eike Batista. Hoje, que está à frente dela é o juiz substituto Valpuesta. As denúncias de Faerman, que depôs na CPI da Câmara em junho passado, retrocedem a 1997, gestão de Rennó à frente da estatal.

Mas, Faerman não foi o único a relacionar o esquema de corrupção à estatal no governo anterior ao PT.

Também o ex-gerente de Serviços da Petrobras Pedro Barusco admitiu, na sua delação premiada, o recebimento de propinas pela aprovação de contratos na Petrobras, entre os anos de 1997 e 1998, portanto, no governo tucano.

Conforme noticiou a revista CartaCapital em fevereiro passado, “o primeiro pagamento de propina que Barusco afirma ter participado diz respeito a dois contratos firmados com a empresa holandesa SBM, em 1997 ou 1998. Em novembro de 2014, a SBM fechou um acordo com o Ministério Público da Holanda e aceitou pagar 240 milhões de dólares como punição por pagamentos de propina ocorridos entre 2007 e 2011 no Brasil, na Guiné Equatorial e em Angola. O recém-revelado depoimento de Barusco, no entanto, revela que a prática de pagamento de propinas na estatal começou ao menos dez anos antes”.

Anterior à Lava Jato - Apesar do esquema envolver personagens citados, investigados, presos e/ou denunciados nas diversas fase da Operação Lava Jato, as investigações sobre as propinas pagas pela SBM são anteriores. Elas vêm sendo feitas pelo procurador Leonardo Cardozo, no Rio de Janeiro. Os detalhes serão repassados em coletiva à imprensa no final da manhã.

Sabe-se, pela nota oficial da Polícia Federal que na Operação Sangue Negro foram expedidos nove mandados  sendo quatro de prisão preventiva a serem cumpridas no Rio de janeiro, Angra dos Reis e dois em Curitiba, onde os atingidos já se encontram presos. A nota conclui:

“As buscas acontecem nas residências dos investigados e em uma empresa do ramo de prospecção de petróleo.

A empresa, alvo das buscas, recebia repasses de contratos efetuados entre a Petrobras e a SBM da ordem de 3 a 5%, dos quais 1 a 3% eram depositados em off shores no exterior. Esse dinheiro retornava em forma de pagamento de propinas.

Os crimes investigados são sonegação fiscal, evasão de divisas, desvio de recursos públicos lavagem de dinheiro, dentre outros crimes”.

15 pensamentos sobre “Operação Sangue Negro atinge governo de FHC

  • 17 de dezembro de 2015 em 10:42
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    Marcelo,
    Tem muito juiz envolvido nessa maracutaia….

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  • Pingback: | O Palheiro

  • 17 de dezembro de 2015 em 19:55
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    Faerman eh o maior canalha, esse esquema Petrobras já existia ha pelo 5 anos antes desse ano de 1997, investiguem a serpetro!

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    • 18 de dezembro de 2015 em 09:06
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      O esquema na Petrobras vem desde o governo do Getúlio, enquanto a corrupção começou no Brasil em 21 de abril de 1500.

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  • 17 de dezembro de 2015 em 19:57
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    Só mesmo a malta acéfala, cujas fontes de informação se resumem ao PIG e seus ‘colonistas’ pitbulls, acredita na imparcialidade das investigações da PF, do MP e de certos juízes, como sérgio moro. Ricardo Semler, insuspeito empresário filiado ao PSDB, escreveu artigo demolidor, intitulado “Nunca se roubou tão pouco”, em que relata a corrupção que sempre houve no estabelecimento de contratos da Petrobrás com fornecedores. O recorte temporal dado às investigações da Lava Jato (pós 2003, portanto no período em que Lula e Dilma presidem o País) e a seletividade das investigações, dos vazamentos, das prisões e coerções, mostram o carácter descaradamente político-partidário que essa operação assumiu. A série histórica de reportagens sobre as ilegalidades criminosas cometidas por policiais federais da SR/DPF do Paraná e a chancela dessas ilegalidades por parte do MPF (na figura dos procuradores que conduzem investigações e oferecem denúncias na LJ, sobretudo Deltan Dallagnol e Carlos Lima) e do juiz federal sérgio moro são provas cabais e irrefutáveis de que, ao contrário do propalado e nobre propósito de combater a corrupção, a LJ é uma operação com fins político-partidários, visando aniquilar um partido político (o PT), um espectro da Política (a esquerda), criminalizar os grandes líderes petistas, enfraquecer e depor um governo legìtimamente eleito com mais de 54,5 milhões de votos.

    Mesmo com fartas provas de que os senadores Aécio Cunha e Antônio Anastasia estavam envolvidos em esquemas de corrupção, envolvendo caixa 2 e desvio de dinheiro de estatais para financiamento de campanhas, o PGR não percebeu razões suficientes para que os parlamentares continuassem a ser investigados; vergonhosamente, Rodrigo Janot pediu arquivamento do processo, contrariando o que a própria PF considerava necessário: a continuidade das investigações.

    Eduardo Cunha, cuja ficha corrida os brasileiros bem informados conhecem, e de quem o PGR deve possuir um calhamaço com relatos de práticas criminosas, já que o corrupto profissional foi ‘aluno’ de PC Farias e hoje conta mais de 25 anos de “carreira”, pôde presidir a Câmara, achacar o governo, colocar em votação (e aprovar) uma pauta conservadora e retrógrada que retira direitos dos cidadãos e trabalhadores, fazer da Câmara um balcão de negócios e, dos deputados, representantes da plutocracia escravagista responsável pelo vergonhoso estágio de subdesenvolvimento social e econômico do qual o Brasil tenta se desvencilhar há pouco mais de uma década. Tudo isso durante quase um ano, com a omissão cúmplice do PGR, que só depois do fracasso retumbante das manifestações golpistas resolveu oferecer denúncia contra Eduardo Cunha, por este se utilizar do mandato de deputado e do cargo de presidente da Câmara Federal para chantagear e ameaçar o governo e adversários políticos, além de impedir ou dificultar investigações contra ele próprio. A cumplicidade e má-fé do PGR fica evidente quando observamos que ele esperou que o corrupto-achacador Eduardo Cunha aceitasse pedido de impedimento da presidente Dilma (sem a mínima fundamentação legal e jurídica, como já se demonstrou) e a antevéspera do recesso do Judiciário, para oferecer denúncia contra Eduardo Cunha, pedindo ao STF que lhe retire o mandato (como se isso não fosse inconstitucional e o procurador não conhecesse o Art. 55 da CF) e o afaste da presidência da Câmara. Rodrigo Janot confirma a suspeita que muitos jornalistas, cientistas e mesmo simples cidadãos progressistas já sabiam: ele fez essa jogada marqueteira, pedindo que o STF o afaste da presidência da Câmara e lhe tome o mandato, jogando para a ‘platéia’, quando Eduardo Cunha se tornou lixo fétido e inútil, portanto descartável. Assim como Janot, a oposição quer se livrar de Eduardo Cunha, depois de lhe dar apoio e sustentação para realizar o trabalho sujo.

    Essa operação, denominada “Sangue Negro”, deflagrada num momento como este é uma espécie de ‘compensação’, que será usada pela imprensa pigal, para tentar demonstrar uma imparcialidade na atuação da PF, dos MPs e do Judiciário que sabemos não existir. Assim como existem os que acreditam em saci pererê e na pureza ‘inocente’ do eduardo cunha, há uma legião de analfabetos políticos políticos que acreditam na falsa neutralidade dessa burocracia do Estado e no que a mídia empresarial divulga como ‘notícia’ e opinião. Embora o juiz que conduz a operação, assim como a equipe da PF e dos MP s que participam das investigações, seja(m) outro(s), os precedentes me levam a manter a desconfiança e vigília.

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    • 19 de dezembro de 2015 em 19:21
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      Infelizmente, eu acredito que vc esteja certo. Pois, por muito menos ou por nada, investigaram o filho do Lula.

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    • 8 de janeiro de 2016 em 14:01
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      COLONISTAS é quem coloniza, mas o mais importante é sua parcialidade em defender ladrões que estão bilionários e deixando parentes e amigos milionários enquanto você toma seu guaracamp com pão e mortadela, então Pesquise PACTO DE PRINCETON e descubra o pacto entre FHC e Lula para poder totalitário, descubra que o PT somente existe por culpa de FHC, pesquise TEORIA DAS TESOURAS e que você foi enganado por mais de 30 anos

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  • 17 de dezembro de 2015 em 20:04
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    Bob zubiate era da Imodic as transações começaram bem antes: faerman x zubiate e imodic : distribuicao de dinheiro em contratos escusos da Petrobras. Acabou a serpetro criou essa nova empresa e comecou a atuar com a SBm : mudaram só o empresa onde o zubiate passou a um cargo mais influente! Ate as pessoinhas das da Petrobras são as mesmas!

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  • 17 de dezembro de 2015 em 20:18
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    Faerman deveria estar numa cadeia com muitas grades! E um ladrão que roubou e ainda rouba, fácil ir morar na Inglaterra como ele fez, deveria ser investigado mais a fundo pois tem muitapodridao com roubos para fazer seu patrimônio aqui bem como o saldo das contas no exterior. Serpetro esta era empresa anterior foi dado baixa para criar a outra empresa que passou a atuar junto com a SBm onde Bob zubiate era o cabeça, só mudou o cenário mas os personagens são esses inclusive na Petrobras .

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  • 2 de março de 2016 em 15:28
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    Eu acredito na boa fé e na imparcialidade, do juiz Vitor Barbosa Valpuesta, não é conversa de torcida organizada não acredito porque foi o único que teve a coragem de se debruçar sobre o caso e chegar a conclusão com base em depoimentos da lava jato omitidos pela corte de coritiba em que nunca ofereceu denuncia, ou seja se omitiu.

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  • 8 de março de 2016 em 19:31
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    Interessante. A cada denuncia que os petistas lançam contra outros políticos, no intuito de fazer defesa de seus próprios crimes, fica ainda mais claro como são incompetentes. Não conseguem provar o que dizem mesmo estando as instituições aparelhadas a serviço deles próprios. Não conseguem dar seguimento na denuncias e levar a cabo a condenação por exemplo de Aécio Neves, e olha que não estou aqui a defender ninguém. Realmente são uns incompetentes, nas sabem roubar, ainda que deixem rabo.

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