Guaranis-Kaiowá, à margem da lei, da cidadania e da vida, abandonados na BR-463

Marcelo Auler

O blog dá início a um novo projeto de reportagens especiais*. Decidimos contar um pouco mais a história dos índios Guaranis-Kaiovás cujas aldeias ficam em Mato Grosso do Sul, entre os municípios de Dourados e Caarapó. Pelos dados oficiais, historicamente, desde 200e, ocorre uma média de um assassinato por ano de índios, por milícias contratadas por produtores rurais.

Para trazer este assunto ao blog, na forma de reportagens diversas, ao longo dos últimos dias, percorremos cerca de dois mil quilômetros de carro, não só no percurso Rio-São Paulo-Dourados, como na região onde chegamos no domingo (21/08). A revolta de dona de dona Damiana,  abre esta série. Com 75 anos, há 26 é a cacique da comunidade Apyka’i. Estes indígenas, desde maio sobrevivem à margem da BR-463, local onde oito membros da tribo – seis deles crianças, três netos de dona Damiana – morrerem atropelados. Estão entregues à própria sorte: à margem da cidadania, da lei e da vida, como definiu um delegado de polícia federal.

“Você que veio de longe, me ajude para eu voltar para o nosso Tekora”

Nove índios da tribo morreram atropelados na mesma BR-463 em que estão agora. Seis eram crianças, três netos de dona Damiana. Foto Marcelo Auler

Nove índios da tribo morreram atropelados na mesma BR-463 em que estão agora. Seis eram crianças, três netos de dona Damiana. Foto Marcelo Auler

Aos 75 anos, dona Damiana, que se auto-denomina “Kauñha Apyka’i”, na tradução de sua nora, Vaniele, “mulher guerreira” é a líder, cacique ou capitã (no linguajar deles) de uma pequena comunidade Guarani-Kaiowá, “Curral de Arame” (Tekoha Jukeriy). Tinha, sob a sua liderança não mais do que 60 indígenas distribuídos em 11 (onze) famílias, a maioria dos integrantes mulheres e crianças.

Desde 2008, ela luta para conseguir retornar ao seu Tekora (o espaço da tribo) onde cresceu e, principalmente, enterrou seu pai, em um dos três cemitérios que a comunidade mantinha, na terra que ocupava originalmente e hoje é uma plantação de cana de açúcar da Fazenda Serrana, em Dourados (MS).

Nesse período de oito anos, os Guaranis-Kaiowás da Comunidade Apyka’i por três vezes foram retirados das terras que ocupavam por decisões judiciais ou mesmo uso da força, através de milícias, por iniciativa do proprietário da fazenda, Cássio Guilherme Bonilha Tecchio. Ele arrenda suas terras para o plantio de cana que abastece a Usina São Fernando Açúcar e Álcool, do Grupo Bumlai, cujo principal sócio é José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula e envolvido no escândalo da Lava Jato.

Desde então, ela e alguns dos indígenas, voltaram para a beira da BR-463, que liga Dourados a Ponta Porã, na divisa com o Paraguai. O grupo já ocupou esta margem da estrada nas outras vezes em que foi expulso da terra que reivindicam desde 1999. Mas, somente nesta semana desembarcou em Dourados (MS) a equipe da Funai que  e que a Funai somente esta semana começou a estudar a cadeia dominial do terreno para averiguar a procedência de se tratar de terra indígena.

Enquanto isso o grupo indígena está sem qualquer suporte. Ao longo deste período em que estiveram por diversas vezes na beira da estrada, nada menos do que oito pessoas, seis delas crianças – três netos de dona Damiana – morreram atropelados. Eles ocupam barracas montadas rudemente com plástico e dormem sobre o chão de barro, em um período que durante as madrugadas os termômetros marcar 4°. A comida que a Funai deveria doar,m segundo ela não tem chegado e os índios, inclusive as crianças, acabam vivendo de doações. Revoltada ela desabafou em uma gravação para o Blog: “Você que veio de longe, me ajude para eu voltar para o nosso Tekora”.

O vídeo, de minha autoria, não está perfeito, pois não tivemos tempo para editá-lo.

* Para cobrir as despesas destas reportagens – combustível, pedágio, manutenção do carro, hospedagem, alimentação, despesas telefônicas e a remuneração do trabalho em si -, contamos mais uma vez com a ajuda dos nossos leitores que podem contribuir com o valor que entenderem justo.

As contribuições, como ocorre aqui no blog, podem ser feitas em depósitos na conta da M.Auler Comunicação e Eventos : Banco do Brasil, agência 3010-4 conta corrente 19.025-X (o dígito é realmente a letra X) CNPJ. 05.217.326/0001-99.

Nós ainda não aderimos aos sistemas eletrônicos de cobrança que existem por conta da taxa de administração que varia a partir de 7%. 

Desde já agradecemos a colaboração dos leitores.

O STF tem que agir: avocar a delação de Léo Pinheiro, retirando-a da “República do Paraná”

Marcelo Auler

coluna Janio quinta feira 25.08.16O vazamento de informações que deveriam ser sigilosas sobre as tratativas da possível delação premiada de Léo Pinheiro, o manda-chuva da empreiteira OAS está gerando muito bate-boca, que não levará a nada, a não ser gerar manchetes de jornais.

O ministro Gilmar Mendes, na suposta defesa de seu colega, o ministro Dias Toffoli – que, ao que eu saiba, não se pronunciou, acusou o Ministério Público Federal (MPF), em especial os procuradores da Operação Lava Jato. Já Rodrigo Janot, chefe dos procuradores administrativamente falando, saiu em defesa dos seus pupilos, com os quais já teve – e, ao que parece, ainda tem – muitas divergências.

No fundo, como muitos supõem e já afirmaram – veja o Luís Nassif no Jornal GGN – Xadrez da delação que ficou pairando no ar – ou mesmo o Jânio de Freitas, na sua coluna desta quinta-feira, na Folha – Excessos de autoritarismo da Lava Jato são problema institucional – o vazamento tem como causa principal melar a delação do delator, por ele não ter dito o que os procuradores queria. Jânio de Freitas afirma hoje no seu artigo:

esperavam os procuradores, obsessão acima de todas, o que buscam em vão sobre a propriedade do sítio e do apartamento atribuída a Lula. Léo Pinheiro foi decepcionante para a Lava Jato nas preliminares sobre a futura delação: não admitiu que o sítio e o apartamento sejam de Lula.

Era muito fácil a previsão de que implicar um ministro do Supremo, em mais um “vazamento”, daria oportunidade a sustar o acordo de delação premiada com Léo Pinheiro. Além de não dizer o que desejavam, o possível delator e seu manancial de informações por certo desvendariam pessoas e grupos não incluíveis na mira acusatória da Lava Jato. Criar o caso e, suspenso o acordo de delação, deixar Léo Pinheiro calado: está feito“.

A permanecer do jeito que está, tudo não passará de um bate-boca digno da chamada Casa da Mãe Joana, sem que nada seja esclarecido, como muitas coisas na Lava Jato não foram esclarecidas. Basta ver a reportagem que postamos – Lava Jato: após omitir-se, o Supremo se assusta. Vai acordar?. Tudo que o país e essa sofrida sociedade não precisa é assistir cenas de pugilismo verbais entre autoridade. O que se quer é um jogo claro, um esclarecimento, que se desvendem estes mistérios.

Ora, na medida em que se tem notícia de que uma delação premiada que estava sendo feita a procuradores da primeira instância acabou envolvendo um ministro do STF, com direito a foro especial, ao Supremo Tribunal Federal nada mais resta fazer do que avocar esta questão.

Cabe ao ministro relator da Lava Jato, Teori Zavascki, requisitar este caso e mandar a sua própria equipe, na presença de representantes do procurador-geral da República e dos advogados de defesa de Leo Pinheiro, ouvi-lo detalhadamente sobre o que tem a dizer. Inclusive sobre as pressões que possa ter sofrido na República de Curitiba para falar o que os procuradores queriam.

Ou se faz isso, e se esclarece esta história por completo, ou teremos mais uma suposta arbitrariedade da Força Tarefa da Lava Jato jogada para debaixo do tapete. E haja tapete para tantas supostas arbitrariedades.

Lava Jato: após omitir-se, o Supremo se assusta. Vai acordar?

Marcelo Auler

Monica bergamo briga doi Gilmar com PGREm sua coluna de terça-feira (23/08) na Folha de S. Paulo, a farejadora Mônica Bérgamo – a quem devo parte do Prêmio Esso que recebi em 1992 quando estávamos na Veja -, traz a público a indignação do ministro Gilmar Mendes – logo ele – com o vazamento de informações – Vazamento de citação a Toffoli em delação abre crise entre STF e  MPF. Referia-se ao provável vazamento por procuradores da República de informações reveladas por Veja em sua última edição. Foi uma tentativa direta de queimar o ministro Dias Toffoli como, aliás, Luís Nassif  comentou em oportuno artigo no  próprio sábado (20/08) – A vingança torpe da Lava Jato contra Dias Toffoli. Tanto que viralizou.

No transcorrer do dia, Mendes voltou a se manifestar, ampliando suas críticas às 10 Medidas Contra a Corrupção, apresentadas pelo Ministério Público Federal, com mais de dois milhões de assinaturas coletadas em todo o país. Segundo o UOL, o ministro do Supremo Tribunal Federal, referindo-se aos procuradores da Lava Jato, sem citá-los comentou que os “cemitério está cheio desses heróis“.

Bateu firme na proposta de “que prova ilícita, obtida de boa fé, deve ser validada”. Para ele, “a priori, tem que ser muito criticada e se negar trânsito. Imagine, agora, um sujeito que é torturado, ah, mas foi de boa fé”.

Avançando, criticou os procuradores e foi citar seu velho arqui-inimigo, o ex-delegado federal Protógenes Queiroz, da Operação Satiagraha – deflagrada em 2008 -, expulso da Polícia Federal por violação de sigilo funcional.

“Isso lembra o nosso delegado herói, que fazia interceptação telefônica sob o argumento de que agia com bons propósitos. Ora, espera aí. A autoridade se distingue do criminoso porque não comete crime, senão é criminoso também! Aí vira o Estado de Direito da barbárie (…) Estado de Direito tem que ser Estado de Direito. Não se combate crime com a prática de crime. É preciso moderação, que os procuradores calcem as sandálias da humildade”.

Acostumado a lidar com procuradores da República desde os anos 90, com muitos dos quais desenvolvi amizade, eu lamento que dentro do Ministério Público Federal, que sempre assumiu o seu papel constitucional de fiscal da lei, tenha hoje um grupo – pequeno, é verdade – que se destaque pela defesa de métodos que ferem a Constituição e o Estado de Direito, Pior ainda, o próprio juiz Sérgio Moro defendeu algo parecido na Câmara dos Deputados, mas naquela vez não se ouviu qualquer voz do STF criticá-lo.

Alerto para um comentário postado aqui no blog pelo leitor Ramirez Gonzaga, que certamente já é o que muitos começam a defender. Se acontecer, entendo que será um retrocesso, mas plenamente justificado aos olhos de uma parcela da sociedade, pela ação deste pequeno grupo que age sob o silêncio da maioria. Diz o leitor Gonzaga:

Com todo respeito ao Ministério Público, vejo que os poderes investigatórios desse órgão deve ser revisto e seus membros devem se ocupar apenas com sua função acusatória. Esse negócio da Liga da Justiça formada entre um juiz, procuradores e policiais federais se mostrou perniciosa ao País”. Leia mais

Em solidariedade a Jose Genoíno, Eugênio Aragão devolve medalha à FAB e cita Renato Russo

Marcelo Auler

 

Mas é claro que o Sol

Vai voltar amanhã

Mais uma vez, eu sei

Escuridão já vi pior

De endoidecer gente sã

Espera que o Sol já vem

Aragão sobre Genoíno: "esse gigante da política brasileira". Fotos Marcelo Auler e reprodução

Aragão sobre Genoíno: “esse gigante da política brasileira”. Fotos Marcelo Auler e reprodução

Em um momento que gestos como estes são cada vez mais raros no mundo de uma maneira em geral, incluindo a sociedade brasileira, por solidariedade ao ex-deputado José Genoíno, o subprocurador da República, Eugênio Aragão, em carta aberta ao Tenente  Brigadeiro do Ar Nivaldo Luiz Rossato, Comandante da Aeronáutica e Chanceler da Ordem do Mérito Aeronáutico, devolveu a medalha e o diploma da Ordem do Mérito Aeronáutico, no grau de comendador, que recebera em outubro de 2007.

Ao tomar esta decisão, pedindo que seu nome seja excluído do quadro de homenageados pela Força Aérea Brasileira, Aragão, que por poucos meses foi ministro da Justiça do governo de Dilma Rousseff, atropelou a condenação de Genoíno no processo do Mensalão e deixou claro sua posição a respeito do político que seus colegas de procuradoria denunciaram:

Não posso participar de um quadro que excluiu esse gigante da política brasileira de seus graduados, por mais que outros possam, desconhecendo a pessoa de José Genoíno, lançar-lhes juízos injustos”

Em sua carta ele ainda elogia os militares brasileiros – “tenho tido, por toda minha vida profissional, alto apreço pelas Forças Armadas Brasileiras, incluindo-se a Aeronáutica”. Recorda trabalhos conjuntos que desenvolveu com elas: “tenho boa lembrança, também, do inestimável apoio que a Força Aérea deu ao desintrusamento do Parque Indígena Yanomami, em Roraima, que tive a honra de acompanhar, conhecendo, de perto, a competência, a dedicação, o compromisso social e o patriotismo dos militares empregados na operação.”. Mas critica fortemente a “exclusão do corpo de graduados especiais da Ordem, de José Genoíno Neto, no grau de comendador (Portaria n.º 920, de 26 de julho de 2016, publicada no D.O.U. De 18 de agosto de 2016″. Leia mais

Venceu a impunidade: investigação das propinas em Santos envolvendo Temer foi arquivada.

Marcelo Auler

A lerdeza dasinstituições em apurar crimes supostamente cometidos entre 1995 e 1998 e denunciados em 2000, beneficiou Michel YTermer e Marcelo de Azeredo. A impunidade foi garantida, mais uma vez. Fotos: reproduções

A lerdeza das instituições em apurar crimes supostamente cometidos entre 1995 e 1998 e denunciados em 2000, beneficiou Michel Temer e Marcelo de Azeredo. A impunidade foi garantida, mais uma vez. Fotos: reproduções

Reproduzo aqui a mais recente matéria do trabalho conjunto que fiz com o Diário do Centro do Mundo. Ela mostra como se cria a impunidade para políticos que não são do PT. Investigações sobre as denúncias contra Michel Temer, feitas em 2000, ficaram rolando de um lado para outro até prescreverem. Com isto, ao analisar o caso neste mês de agosto, a procuradora da República Karan Louise Jeanette Kahn  não teve alternativa a não ser propor o arquivamento de tudo. Temer e seu afilhado político, Marcelo de Azeredo, que foi presidente da Companhia de Docas do Estado de São Paulo – CODESP –  por indicação do então presidente da Câmara dos Deputados, ficarão impunes criminalmente.

No trabalho em conjunto com o DCM, conseguimos acessar um antigo inquérito policial no qual o acusado Azeredo prestou depoimento. Negou as denúncias que a  sua ex-companheira, Erika Santos, fez na Vara de Família.

Neste inquérito, na Delegacia de Prevenção e Repressão a Crimes Fazendários (DELEFAZ) da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo (SR/DPF/SP) foram ouvidos os principais personagens pelo delegado federal Ricardo Atila Barbosa. Além de Azeredo, prestaram depoimento  seu pai Ronaldo Pinto de Azeredo, sua irmã Carla de Azeredo (todos em agosto de 2004) e Érika (outubro do mesmo ano). Michel Temer, como noticiamos em A PGR omitiu-se na denúncia da caixinha do Porto de Santos para Michel Temer, foi convidado a prestar depoimento como testemunha em um inquérito em Santos, mas jamais respondeu ao convite.

No depoimento de Marcelo Azeredo as informações sobre o relacionamento dele com Erika, divergem.....

No depoimento de Marcelo Azeredo as informações sobre o relacionamento dele com Erika, divergem…..

Nos depoimentos há diversas contradições, mas não houve acareações para dirimi-las.  Inclusive, as mais simples, como se poderá ver no que falaram Azeredo e Erika a respeito do tempo em que permaneceram juntos e moraram debaixo do mesmo teto. Ele falou em uma relação de apenas um ano e meio, durante a qual moraram juntos nos últimos dois meses.

Já na versão dela, a relação durou de 1997n a julho de 2000, tendo se mudado para o apartamento dele em meados de 1999.

Ele fala que não lhe  deu dinheiro. Ela apresentou inclusive extratos do cartão de crédito que tinha como dependente dele e na ação na Vara de Família, falou em uma mesada de R$ 5 mil mensais. Por isso, pediu R$ 10 mil de “pensão”, para manter o mesmo padrão de vida.

Mas, em algo, eles pareceram “acertados”. Justamente ao desmentirem a ocorrência de caixinha e propina na CODESP que ela mesmo alegou terem beneficiado o próprio Azeredo e seu padrinho político, Temer.

Azeredo, como era de se esperar, negou “peremptoriamente o recebimento de qualquer quantia por parte de quaisquer empresas privadas, conforme informado por Érika”. Disse ainda ter sido indicado para o cargo após ser sabatinado pelo então ministro dos transportes de Fernando Henrique Cardoso, Odacir Klein (PMDB-RS). Mas não especificou quem o indicou ao ministro para o cargo.

... das informações que Érika deu na polícia. Tanto no tempo de relacionamento, como no período que estiveram debaixo do mesmo teto.

… das informações que Érika deu na polícia. Tanto no tempo de relacionamento, como no período que estiveram debaixo do mesmo teto.

Sobre Temer,  admitiu apenas que mantinha uma relação meramente partidária, por ser filiado ao PMDB e ter, inclusive, concorrido a deputado estadual em 1994. Mas, como já expusemos na reportagem acima citada, ao assumir o cargo deixou claro para os diretores que estava ali graças ao então presidente da Câmara dos Deputados. Na época, foi claro: se espalhassem isto, ele desmentiria.

Érika também tentou negar que partisse dela as denúncias das propinas que teriam beneficiado o ex-marido e o então deputado Temer. Disse ter recebido documentos anonimamente e encaminhados aos seus dois advogados, Martinico Izidoro Livovschi e seu filho Sérgio, Segundo ela, só ao ler a ação no fórum, foi que ficou sabendo “dos fatos supostamente delituosos imputados a Marcelo”. Negou ainda ter autorizado os advogados a “fazerem essas denúncias contra seu ex-companheiro”.

Ela, porém, foi desmentida pelos advogados Livovschi, pois os dois garantiram que a minuta da inicial da ação lhe foi apresentada e ela, em um fax, fez modificações e acréscimos. Pai e filho, em depoimentos separados, fizeram o delegado registrar que “as denúncias ali constantes foram feitas obedecendo a uma exigência de Érika que acreditava que as mesmas poderiam pressionar Marcelo a realizar um acordo rapidamente”.

Erika Santos, após separar-se de Marcelo Azeredo, conseguiu manter seu estilo de vida. Foto: reprodução de suas páginas nas redes sociais.

Erika Santos, após separar-se de Marcelo Azeredo, conseguiu manter seu estilo de vida. Foto: reprodução de suas páginas nas redes sociais.

Quem se debruça sobre esta história conclui facilmente que a denúncia existiu o que não significa que o crime ocorreu, muito embora as probabilidades sejam grande.

Afinal, a própria Erika admitiu que “o alto padrão de vida” do ex-companheiro “lhe chamasse a atenção. Sempre viajavam em primeira classe, hospedando-se em hotéis cinco estrelas, frequentando restaurantes caros”.

Ou seja, alegou não ter feito a denúncia, mas tinha consciência de que ele vivia um estilo de vida acima do que seria possível com seu rendimento legais. As receitas acima do salário e sem explicações, foram confirmadas pela Receita Federal, como mostramos na matéria Autuação da Receita confirma denúncias das propinas em Santos. Temer foi poupado.

Muito provavelmente ela foi pressionada a desmentir o que denunciou e pode sim ter feito um acordo extrajudicial com o ex-marido, apesar de todos os advogados que a atenderam desconhecerem isto.

Conseguiu, batalhando muito – como mostramos em Erika Santos, a ex-estudante que denunciou Temer, e seus mistérios a serem desvendados -, sobreviver em um bom estilo de vida. Mas ficou em falta com  sociedade ao recuar nas denúncias que fez. Aliás, o fato dela não ter sido molestada oficialmente pelo ex-marido é mais uma forte suspeita de que o que ela disse era verdade. Faltou vontade política de quem de direito para apurar e punir os possíveis crimes. Assim, prevalece a impunidade.

Abaixo a abertura da matéria no DCM onde é possível acessar aos depoimentos na polícia na íntegra. Leia mais

Credibilidade Capenga

Arnaldo César (*)

TV Globose vangloria da cobertura dos Jogos Olímpicos, mas na hora de mostrar as mentiras dos nadadores americanos que atingiam a todos os cariocas e brasileiros, não tinha vídeo seu. Reproduziu o do jornal DailyMail.

TV Globose vangloria da cobertura dos Jogos Olímpicos, mas na hora de mostrar as mentiras dos nadadores americanos que atingiam a todos os cariocas e brasileiros, não tinha vídeo seu. Reproduziu o do jornal DailyMail.

No último dia das Olimpíadas, a mídia brasileira não se conteve. Indistintamente, todos os veículos aproveitaram dos momentos finais para jogarem confetes neles mesmos. Sem qualquer pudor, as rádios e as TVs gabaram-se de terem colocado no ar mais de 200 horas seguidas de transmissão de competições esportivas acompanhadas de seus respectivos noticiários. Os jornais e as revistas jactaram-se das quantidades monumentais de páginas impressas.

Sobre a qualidade do conteúdo oferecido aos telespectadores/leitores nenhuma menção. É justamente aí que reside toda a fragilidade do jornalismo brasileiro. Quando se trata de narrar o que está acontecendo às vistas de todos vamos bem. Quando é necessário investigar ou apurar um fato, a coisa muda de figura. Leia mais

Suspeitos de “terrorismo” mantidos presos e isolados já são segregados: nova Escola Base?

Marcelo Auler

A ordem judicial era para a Operação Hasthg ser feita em sigilo. Mas, no dia das prisões, ospresos foram fotografados quando conduzidos pela Polícia. Outras fotos foram distribuídas e circularam abertamente. Isto, apesar de o próprio juiz dizer que ainda estavam apurando os fatos. "Me preocupa inclusive que alguns após as prisões sofram com alguma situação de abandono familiar e social ainda maior", diz a defensora pública Rita Cristina.

A ordem judicial era para a Operação Hasthg ser feita em sigilo. Mas, a Polícia Federal permitiu foto dos presos ao serem conduzidos. Outras fotos foram distribuídas e circularam abertamente. “Me preocupa inclusive que alguns após as prisões sofram com alguma situação de abandono familiar e social ainda maior”, diz a defensora pública Rita Cristina.

Um mês de investigações não permitiu à Polícia Federal indiciar nenhum dos 12 suspeitos presos entre 21 e 24 de julho sob a acusação de serem simpatizantes do Islamismo e terem ligações com o grupo terrorista Estado Islâmico (EI)

Mesmo sem que nenhum deles tenha sido oficialmente indiciado em algum crime, na noite de quinta-feira (18/08), o juiz federal Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal de Curitiba, renovou por 30 dias a prisão temporária. Oficialmente, segundo a nota divulgada pela Justiça Federal, um dos motivos da prisão é o fato deles simpatizarem com os “ideais difundidos pelo grupo extremista Estado Islâmico”. Na decisão, porém, também teve peso a realização dos “Jogos Paralímpicos Rio 2016″, entre 7 e 18 de setembro, no Rio de Janeiro, o que a nota omite.

Em uma atitude típica do Estado Policial, isolaram suspeitos, sem culpa formada, na expectativa de se garantir a segurança pública. Enquanto isso, em diversos pontos do país, facções criminosas continuam agindo e espalhando pânico, como ocorreu no Rio Grande do Norte; na Vila do João, no Rio; e no ABC paulista, no assalto à uma empresa de transporte de valores.

Marcos Josegrei da Silva acatou o pedido da polícia Federal por mais prazo e manteve os suspeitos presos. - Foto reprodução

Marcos Josegrei da Silva acatou o pedido da polícia Federal por mais prazo e manteve os suspeitos presos. – Foto reprodução

Para o juiz Josegrei, que havia prometido rever as prisões após os primeiros 30 dias, “a despeito dos esforços evidentes, a complexidade dos fatos em investigação e a quantidade de indivíduos envolvidos justifica a não conclusão da análise do material coletado, no prazo de 30 dias”.

Em manifestação feita na manhã desta sexta-feira, a defensora pública Rita Cristina de Oliveira, responsável pela defesa de 14 investigados, nove dos quais presos, criticou a decisão do juiz principalmente por que ela “além de não trazer novos elementos sobre a necessidade das prisões, não analisa, de forma individualizada, a necessidade de renovação das prisões em relação a cada um dos investigados, o que a torna flagrantemente violadora às leis processuais e à Constituição da República”.

Muito embora a Justiça Federal do Paraná insista que o processo continua em segredo, na verdade, os vazamentos seletivos que ocorreram expuseram todos os presos à opinião pública.

Não há como não se fazer um paralelo com outro caso nada dignificante para a imprensa brasileira: a história da Escola Base, ocorrido em 1994. Na época, fiando-se na palavra da polícia, a mídia de uma maneira em geral – com raras exceções – ajudou a massacrar quatro pessoas, com base no que a polícia falava. O tempo mostrou que eles não tinham qualquer culpa, mas já estavam arruinadas. A história se repetirá?

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Graças a Lula, as Forças Armadas se beneficiam dos “atletas militares temporários”

Marcelo Auler e David Deccache

Mosaico dos mdedalhistas militaresNa postagem que editamos quarta-feira (17/08) – Vejam os medalhistas. E querem reduzir (acabar?) os programas sociais? – mostramos que os programas sociais, que os neoliberais do governo golpista Michel Temer propõem reduzir, ajudaram a, pelo menos, dez dos onze medalhistas brasileiros nestas Olimpíadas.

Nesta quinta-feira, com a conquista de uma nova medalha de bronze por Isaquías Queiróz dos Santos na canoagem, são 11 medalhas, das 13 que o Brasil ganhou, conquistas por atletas que se beneficiaram de programas sociais do governos.

Destacamos, inclusive, que as Forças Armadas apoiam 145 dos 465 atletas da delegação brasileira, através do Programa de Incorporação de Atletas de Alto Rendimento (PAAR). Trata-se de uma iniciativa do governo Lula, em 2008, com vistas a melhorar a participação das Forças Armadas nas Olimpíadas Militares.

Em uma parceria dos ministérios da Defesa e do Esporte, o PAAR  teve o objetivo de fortalecer a equipe militar brasileira em eventos esportivos de alto nível. Os esportistas têm à disposição todos os benefícios da carreira militar, como salários, plano de saúde, férias e assistência médica, incluindo nutricionista e fisioterapeuta, além de disporem de todas as instalações esportivas militares adequadas para treinamento.

Segundo informações da página do Ministério da Defesa, atualmente, 668 militares fazem parte do Programa Atletas de Alto Rendimento, sendo que 74 são militares de carreira e outros 594 temporários. Desse total, 251 são da Marinha, 230 do Exército e 187 da Força Aérea Brasileira. Dos treze medalhistas brasileiros nas Olimpíadas de 2016, nove estão entre estes “militares temporários), a saber:

Medalhas de Ouro: Thiago Braz da Silva (salto com vara); Robson Donato Conceição (boxe) e Rafaela Silva (judô).

Medalhas de Prata: Arthur Zanetti (atletismo nas argolas); e Felipe Almeida Wu (tiro esportivo).

Medalhas de Bronze: Arthur Mariano Nory (atletismo no solo); Rafel Baby Silva e Mayara Aguiar (ambos no judô); e Poliana Okimoto (natação).

A postagem recebeu críticas, compartilhamentos, mas, principalmente, um adendo bastante importante que foi a análise feita pelo ex-aluno da Escola Naval, David Deccache, que, para minha satisfação, permitiu compartilhar o seu trabalho apresentado na sua página do Face book. Ele, de forma bastante didática, mostra que na verdade as Forças Armadas estão se beneficiando mais destes atletas do que eles dela. Apesar de não se dever desmerecer o apoio. Leia mais

Vejam os medalhistas. E querem reduzir (acabar?) os programas sociais?

Marcelo Auler

“Essa medalha tem um significado especial por ter vindo de um projeto social, mas me dá tristeza ver que isso acabou no Brasil. Se vocês tiverem como tirar fotos dessa medalha, mostrem aos nossos políticos no Planalto para que eles parem de brigar entre si e continuem a buscar novos atletas. Os EUA são uma potência no esporte porque lá existe incentivo do governo”.

Reeditado na quinta-feira (18/08) para acerto do nome do boxeador Robson Caetano que tinha sido identificado como Robson Concveição, atleta de outras Olimpíadas. Ao próprio e aos leitores, meu pedido de desculpas pelo erro.

Reeditado na quinta-feira (18/08) para acerto do nome do boxeador Robson Conceição que tinha sido identificado como Robson Caetano, atleta de outras Olimpíadas. Ao próprio e aos leitores, meu pedido de desculpas pelo erro.

A frase de Isaquias Queiroz, medalha de prata na canoagem, é um soco, tão forte quanto o do baiano Robson Conceição  – medalha de ouro no boxe -. naqueles que criticam e condenam programas sociais. São geralmente os neoliberais que fazem de tudo em defesa do chamado mercado. Falam em reduzir gastos com os mais necessitados para gerar superávit e pagar a dívida (jamais auditada, como deveria ser) e o serviço dela.

Isaquias não é uma exceção. Nestes Jogos Olímpicos Rio 2016, dez das onze medalhas conquistadas pelos brasileiros vieram de atletas beneficiados com programas de incentivo bancados pelo governo,

Para muitos, pode ser considerado dinheiro jogado fora, que poderia gerar o tão desejado superavit que os neo-liberais defendem.

Mas, nem é preciso muito esforço para enxergar que tais projetos não se mostram proveitosos apenas na hora de subir ao pódio, Até chegar lá são centenas de jovens que passam por treinamentos e, com isso, deixam a legião dos desocupados. Consequentemente, a de candidatos à marginalidade. Leia mais

Idiotice Avassaladora

Arnaldo César  (*)

Michel Temer, Renan Calheiros e Eduardo Cunha, todos estão às voltas com denuncias de caixa 2. Agora querem anistia...... Foto reprodução

Michel Temer, Renan Calheiros e Eduardo Cunha, todos estão às voltas com denuncias de caixa 2. Agora querem anistia…… Foto reprodução

Começa a se espraiar pelos bastidores de Brasília a ideia de uma anistia ampla, geral e irrestrita para os políticos as voltas com as suas respectivas prestações de contas de campanha.  Trata-se de um escárnio em seu mais alto grau de pureza. Alguns juristas já estão vindo a público para dar ares de seriedade à traquinagem.

Admitem a hipótese, desde que os “faltosos” concordem em pagar uma multa pelo dinheiro desviado.

Por enquanto, o absurdo vem sendo tratado à boca pequena. Alguns colunistas da grande imprensa, cheios de dedos, tratam do assunto com reservas. O momento não é propicio. O melhor seria falar sobre isso depois do bota fora da presidente Dilma, previsto para o início de setembro.

A sugestão desta absurda “anistia aos corruptos” desnuda de vez as verdadeiras razões pela qual a presidente, legitimamente eleita, está sendo impiedosamente golpeada. Do seu pretenso substituto, o insosso Michel Temer, ao mais insignificante dos ministros indicados por ele, todos têm contas a acertar com a Justiça. Leia mais